Economia e Conjuntura Econômica

Kaio Arlei Strelow é acadêmico de graduação em Ciências Econômicas, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste - Campus de Cascavel). É bolsista do Instituto TIM/OBMEP/IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). Participa dos Projetos de Extensão "Primeiros Passos em Economia e Cidadania" (área de educação financeira) e "Determinação Mensal do Custo da Cesta em Cascavel - PR" (indicadores de renda). Pesquisa na área de Métodos Quantitativos em Economia e Economia Rural (especificamente sobre a cadeia produtiva do leite). http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4691747D7

Salvações e crises: Sobre economia, vida e humanidade

O autor (uso do Canva)

Um mês depois da campanha que incentivava os habitantes de Milão (Itália) continuarem com suas atividades em meio à pandemia de Covid-19 para não afetar a economia, na última semana (27/03) a cidade registrava 4.861 mortos e 34.889 casos positivos da doença. Cabe a reflexão: até que ponto buscar proteger a economia em momento de pandemia de fato salva esta mesma economia?

Para responder a essa pergunta, os pesquisadores Sergio Correia (Federal Reserve Board), Stephan Luck (Federal Reserve Bank of New York) e Emil Verner (MIT Sloan School of Management) fizeram um estudo com base na Gripe Espanhola de 1918(1). O estudo mostrou que as cidades que intervieram mais cedo e mais agressivamente, não apresentam desempenho pior e, além disso, cresceram mais rapidamente após o fim da pandemia. Ainda: a pesquisa indica que as intervenções não-farmacológicas, como quarentena, fechamento de escolas, isolamento social voluntário ou obrigatório, fechamento do comércio e outros, não apenas reduzem a mortalidade, mas mitigam as consequências econômicas adversas de uma pandemia.

O isolamento social tem sido a orientação dos órgãos de saúde e da maioria dos governos mundiais. Não se nega, porém, a iminência de uma crise: a redução das expectativas de crescimento, ou ainda, a recessão, mostram-se como realidade para diversas nações. O que fazer, então?

Um dos papéis do Estado é garantir a vida e a dignidade humana. Grandes economias, até mesmo aquelas que estavam firmadas sob o princípio da não-intervenção estatal, ao verem o momento de crise, reforçaram um sistema de proteção social, na tentativa de aliviar os efeitos do desemprego e do fechamento das empresas.

De fato, não é tarefa fácil. Contudo, até mesmo o arcabouço jurídico brasileiro prevê a possibilidade de não-cumprimento do orçamento em casos de calamidade pública, como é a realidade atual. Cabe ao Estado não negar esse preceito (e não negar a realidade) e buscar os mecanismos mais adequados, na economia e, principalmente na saúde.

A economia é cíclica, ou seja, segue seu rumo de expansão, depressão e nova expansão; portanto, o sistema econômico é recuperável. Em resumo, não se pode esquecer que as ações econômicas devem servir às necessidades das pessoas, garantindo vida e dignidade, pois, para além da crise econômica, há uma crise humanitária.

 

(1) Correia, Sergio and Luck, Stephan and Verner, Emil, Pandemics Depress the Economy, Public Health Interventions Do Not: Evidence from the 1918 Flu (March 26, 2020). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3561560

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