Economia e Conjuntura Econômica

Kaio Arlei Strelow é acadêmico de graduação em Ciências Econômicas, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste - Campus de Cascavel). É bolsista do Instituto TIM/OBMEP/IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). Participa dos Projetos de Extensão "Primeiros Passos em Economia e Cidadania" (área de educação financeira) e "Determinação Mensal do Custo da Cesta em Cascavel - PR" (indicadores de renda). Pesquisa na área de Métodos Quantitativos em Economia e Economia Rural (especificamente sobre a cadeia produtiva do leite). http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4691747D7

Como fazemos escolhas?

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Como você faz escolhas? Você é racional? A emoção determinada sua decisão? Você já parou para pensar?

            Escolher: para muitos economistas, essa é a base da ciência economia. Todas as ações que fazemos diz respeito a abrir mão de algo em detrimento dessa ação: ao mesmo tempo, ou estudo ou vou passear; com determinada renda, ou poupo ou consumo, compro isso ou aquilo; faço isso ou aquilo – são chamados, no jargão economês, de trade-offs.  

            Essa noção é praticamente unânime; porém, a partir dela, questiona-se: como enfrentamos trade-offs? Somos racionais, tomamos as decisões da melhor forma, após análises de todas as variáveis envolvidas? Ou decidimos com informações limitadas, a partir de simplificações da realidade, diversos vieses e, ainda, incorremos em erros dos quais vamos nos arrepender?

            Por muitos anos, economistas partiram da primeira visão de ser humano como pressuposto incontestável – indivíduos racionais, que têm total conhecimento das informações e que sempre tomam as melhores decisões para maximizar seu bem-estar. Porém, até que ponto isso era e é condizente com a realidade? Bom, uma rápida retomada das nossas escolhas responde a esta pergunta.

            Assim, no último século, o conceito de racionalidade limitada tomou forma e reconhecimento, por meio de economistas, psicólogos e outros estudiosos que inauguraram uma abordagem a qual se denomina Economia Comportamental. Nessa área de estudo, entende-se que regras simplificadas e práticas, baseadas na experiência e nos hábitos, individuais e coletivos, subsidiam as decisões de cada indivíduo. Assim, emoção, o comportamento dos outros, a busca por rapidez e os interesses de curto prazo são preponderantes do processo de escolha.

            Na prática, o que isso quer dizer? Para citar um caso recente, vale pensar o que aconteceu no início do isolamento social devido à pandemia de Covid-19: na iminência da restrição de mobilidade, as pessoas foram ao comércio e estocaram alimentos, medicamentos, álcool em gel – e, em alguns casos, papel higiênico (?) – mesmo quando todas as orientações diziam para que isso não fosse feito para não prejudicar o abastecimento. Isso reflete a tendência dos indivíduos de acompanhar as ações de outrem, a partir da ideia de pertencimento e proteção no grupo - é o chamado “efeito manada”.

            São vários os vieses e heurísticas – estratégias cognitivas que ignoram parte das informações para tornar o processo decisório mais fácil e rápido – e que podem tornar o resultado da escolha não-satisfatório. Buscar identifica-los e estuda-los, assim, possibilita uma melhor análise do comportamento individual, ao passo que também proporciona estratégias micro e macroambientais para contornar escolhas que geram problemas, bem como, reforçar aquelas com resultado positivo.

            Nesse sentido, ferramentas a partir da Economia Comportamental são empregadas nos governos, na propaganda, nas empresas e até no combate à pandemia de Covid-19. Por isso, vale a pena conhecer e se aprofundar no tema: conhecer as nossas limitações nos torna agentes com maior possibilidade de atuação sobre a nossa realidade – como consumidores, profissionais e cidadãos. É um caminho para uma sociedade cada vez melhor.

 

Sugestões e referências:

Site:

Economia Comportamental. http://www.economiacomportamental.org/.

Geekonomics. https://geekonomics.com.br/.

Livros:

Misbehaving: The Making of Behavioral Economics – Richard Thaler (2015).

Rápido e Devagar: duas formas de pensar - Daniel Kahneman (2011).

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