Crédito: primeiras análises da realidade na pandemia

            A pandemia de Covid-19, que afetou o mundo desde o início do ano e, no Brasil, principalmente após março, tem claros efeitos sobre a vida das pessoas e, portanto, sobre a economia. Há algumas semanas, o IBGE mostrou redução do PIB no primeiro trimestre de 2020 e as projeções são de continuidade dessa tendência. Já em relação ao crédito, variações atípicas aconteceram nos últimos meses, segundo dados do IPEA.

            De acordo com a Carta de Conjuntura no. 47, publicada em 12 de junho pelo Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada (IPEA)(1), no mês de março, houve fortes quedas com cartão de crédito de pessoas físicas e, por outro lado, a demanda por capital de giro para as empresas teve grande elevação.

            Entre fevereiro e abril deste ano, o cartão de crédito à vista de pessoas físicas apresentou queda de 28%; isso expressa a perda de renda e também a paralisação das atividades. Esse também foi o motivo para a redução de 19% no desconto de duplicatas e recebíveis de pessoas jurídicas e para variação negativa de 20% no uso de cheque especial por pessoas jurídicas no mesmo período. Esses indicadores mostram a intrínseca característica dessa crise, que é a da interrupção tanto da demanda quanto da oferta. 

            Em relação ao capital de giro disponibilizado para as empresas, este elevou-se tanto com prazo de até 365 dias (431%) quanto com prazo superior a 365 dias (66%). O uso de cheque especial das empresas caiu 28% e a antecipação de cartão de crédito seguiu o mesmo comportamento, com queda de 40% - no período entre fevereiro e abril.

            Quanto ao crédito destinado às pessoas jurídicas, entre fevereiro e abril, os consignados por servidores públicos reduziram 20%, ao passo que os aposentados e pensionistas aumentaram a contratação de consignados de 18%. Além disso, o uso de crédito rotativo de pessoa física cresceu 17%, indicando que as famílias têm tido dificuldades de pagar suas contas do cartão de crédito, devido à redução da renda.

            Diante desses indicadores, fica claro o efeito do problema de saúde pública sobre a vida das pessoas, especialmente sobre as finanças das famílias e empresas. Enquanto houve quedas nas categorias de crédito associadas à atividade econômica - vendas e consumo, a demanda por capital de giro pelas empresas aumentou, na busca por manter o pagamento das despesas e custos fixos, diante da interrupção do fluxo de receitas e o problema no fluxo de caixa.

            Vale ressaltar a importância nesse momento de manter o controle dos gastos, aplicar princípios de consumo consciente e verificar quais contas podem ser pagas em outros momentos, buscando fazer frente àquelas despesas emergenciais. Ainda, nesse contexto, deve-se ficar atento à contratação de crédito, especialmente de modalidades com altas taxas de juros, de modo a evitar que consequências mais danosas nas finanças sejam deixadas para depois do fim da pandemia.

 

 

(1) IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Estêvão Kopschitz Xavier Bastos). Carta de Conjuntura: crédito e juros. 47. Ed. (2o. trimestre de 2020).  Brasília: Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (DIMAC/IPEA), 2020. 8 p. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/. Acesso em: 13 jun. 2020.

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