Cuidado: um novo olhar sobre a economia

***Texto escrito a partir da dúvida de leitores.

 

Organizar as roupas, a casa, a louça. Fazer comida. Dar atenção às crianças e aos idosos. Atender aos doentes. Educar. Todas essas atividades têm algo em comum: satisfazer necessidades físicas e psicológicas dos indivíduos, buscando o crescimento, desenvolvimento e bem-estar. Em última análise, trata-se da Economia do Cuidado.

Apesar de uma definição ampla, a Economia do Cuidado engloba as atividades remuneradas ou não, como trabalho doméstico, cuidadores de idosos e pessoas com deficiência, trabalhadores da saúde e serviços prestados nos berçários e creches. Uma breve lembrança sobre cada uma dessas atividades e se percebe que, em sua maioria, são atividades não remuneradas.

Desse modo, como inexiste fluxo monetário, são atividades não vistas pelo mercado. São desenvolvidas dentro das famílias ou entre conhecidos próximos gratuitamente e, nesse sentido, não entram nas estatísticas oficiais. O maior problema desse fato é que essas atividades, mesmo em nível pessoal, não são valorizadas e, ainda, ocorre desprestígio das pessoas que realizam tais tarefas.

A ideia de um sistema econômico voltado para o cuidado é contrapor, por exemplo, a ideia de que economia e saúde, ou ainda, economia e vida, são coisas conflitantes. Na verdade, economia, sociedade, meio ambiente e saúde são interdependentes: se uma das peças não funcionam, o sistema todo não flui.

Obviamente, a questão financeira é importante para manter a sustentabilidade dos empreendimentos, dos empregos e da renda; porém, a tomada de decisão deve priorizar não só o lucro, mas refletir sobre os impactos das ações em todos os âmbitos da sociedade. Nesse sentido, espera-se cooperar para unir bem-estar e prosperidade e, portanto, deve-se valorizar as atividades inicialmente citadas.

Na prática, trata-se de promover desenvolvimento sustentável, permitindo crescimento econômico, combate à pobreza e às desigualdades, valorização dos trabalhadores, da ciência, da arte, da cultura, da espiritualidade, da justiça, da saúde, da segurança. É sobre fazer com que o avanço financeiro dos empreendimentos de uma economia tenha reflexos sobre toda a sociedade – como através de apoios às famílias em que algum membro permanece em casa oferecendo cuidados à casa.

O grande desafio é unir comportamento dos indivíduos e políticas públicas. Assim, uma Economia do Cuidado se faz por meio do comprometimento da sociedade civil e dos governantes para implementar atividades de forma abrangente, de modo a permitir transformações reais sobre o equilíbrio social e ambiental. É tarefa difícil, com certeza, mas é necessário refletir a respeito, em busca de criar novos paradigmas, em busca da valorização da vida.

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