Finanças pessoais em tempo de pandemia

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Finanças pessoais: planejamento, autoconhecimento e equilíbrio

Texto disponível na p. 2 - Quadro Opinião, Edição 1774, de 19 de maio de 2020 (https://jornalintegracao.com/edicoes)

 

            Falar sobre dinheiro e renda, mesmo em períodos considerados “normais” já é tabu: remete a crenças sociais, à forma de criação, ao passado familiar e como cada um ajusta suas finanças à realidade. Quando falamos sobre isso em tempo de pandemia, a situação é agravada: nesse momento, várias famílias estão com renda restrita e são privadas até mesmo do mais básico para sobrevivência.

            Há três meses, quase ninguém esperava que perderia o emprego ou deixaria de vendar em decorrência de um problema sanitário mundial. Porém, muitas vezes, de forma individual, problemas afetam a renda de cada um: uma doença, um acidente, dentre outros vários fatos que desestabilizam o planejamento financeiro. Diante disso, surge a necessidade de uma reserva de emergência. Essa reserva nada mais é que uma quantia em dinheiro que pode ser usada em caso de imprevistos. A formação dessa reserva é um passo difícil – ainda mais nos casos de pouca renda – mas é necessário para proteção. Que tal começar de pouco em pouco?

            Antes da reserva, porém, a organização das finanças é fundamental. Existem vários aplicativos para registrar as receitas e as despesas, mas, em todo caso, um papel e uma caneta bastam: comece registrando as receitas de todos os membros da família e, depois as despesas: as fixas e essências (água, luz, telefone), as variáveis e essenciais (mercado, farmácia, entre outras) e as que não são indispensáveis. Essa análise do que é dispensável e indispensável é subjetiva: alguns podem dizer que comprar lanche no fim de semana é essencial; já outros podem entender que não é. Por isso, é importante conhecer as necessidades e diferenciá-las dos desejos.

            A partir desse registro – o orçamento familiar, é possível verificar a situação das finanças: os gastos excedem as receitas, isto é, há endividamento no cartão de crédito, por exemplo? Conhecendo os excessos, pode-se realizar alguns cortes (mesmo que temporários) para ajustar a situação e começar a pensar na formação de uma reserva de emergência e, até mesmo, de uma poupança.

            Ainda, nesse tempo de pandemia, vale ressaltar sobre o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal: essa é uma renda temporária! Deve-se planejar bem o seu uso, buscando privilegiar as despesas essenciais e, se houver o mínimo de sobre, sugere-se guardar para um próximo período. É um valor baixo (se comparado ao salário mínimo), mas pode ajudar quem realmente precisa nesse momento delicado.

            A crise gerada pela pandemia de Covid-19 tem mudado os paradigmas econômicos em todo mundo. Diante disso, na esfera particular de cada um, repensar o consumo e o enfrentamento da renda são atitudes que cada vez mais deixam de ser opcionais. É necessário ter conhecimento – sobre economia e sobre si – e não se deve hesitar em pedir ajuda para melhorar o uso do dinheiro. Como mensagem final, vale lembrar que dinheiro é meio, e não fim; por isso, use-o de forma consciente.

 

*Um agradecimento especial à equipe do Projeto de Extensão Primeiros Passos em Economia e Cidadania da Unioeste, pelas discussões que subsidiaram a proposta deste artigo. Para conhecer o projeto, acesse: https://www.facebook.com/primeirospassosemeconomiaecidadania/

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