Nudge: já recebeu um empurrãozinho em uma escolha?

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Na última semana (Edição 1779), refletimos sobre como tomamos decisões – somos influenciados pela emoção, por hábitos, pelo comportamento dos outros, pelos interesses de curto prazo, dentre outros vieses e heurísticas. Esses processos são estudados pela Economia Comportamental, área do conhecimento em expansão e que proporciona ferramentas para governos e empresas.

Dentre os economistas comportamentais, estão Cass Sunstein e Richard Thaler, que elaboraram o conceito de nudge. Esse conceito poderia facilmente ser entendido como um empurrãozinho, ou ainda, um cutucão: uma maneira de alterar o comportamento das pessoas, levando a resultados previsíveis. Não é uma ordem e deve ser fácil de assimilar. Está dentro do contexto da arquitetura de escolhas ou nudging – influências no comportamento, subsidiadas cientificamente, com foco no contexto.

Vale ressaltar que nudges não são imposições ou coações, mas sim, modos de induzir ou influenciar e têm objetivos claros e revelados. Exemplos simples são as configurações padrões dos aplicativos e os avisos nas embalagens. Já no Rio de Janeiro, nudges também são utilizados para incentivar que o tratamento de tuberculose não seja abandonado. Aliás, no âmbito público, há muitas experiências bem-sucedidas de uso de empurrãozinhos para melhorar os resultados das decisões.

Nas empresas, também são notáveis os usos de nudges: já percebeu que algumas lojas criam todo um ambiente agradável, com músicas legais e promoções chamativas e, quando você vê, já comprou algo que não necessitava? Já comprou um docinho ao chegar no caixa do supermercado por estar bem acessível? São pequenos “cutucões” para incentivar o consumidor a comprar algo que talvez nem precisasse. Cada vez mais, consultores de marketing e propaganda utilizam-se da arquitetura de escolhas para aumentar vendas.

Pode-se notar que nudging não se trata de trabalhar contra os vieses e heurísticas. Na verdade, utiliza-se deles para buscar atingir resultados esperados. No caso das políticas públicas, impactar positivamente no bem-estar social; já no caso das empresas, promover vendas e gerar lucratividade. Nesse sentido, novamente ressalta-se a importância de conhecer as ferramentas da Economia Comportamental: governos e instituições privadas podem melhorar suas ações através do aprimoramento do modo como são feitas as escolhas.

 

Sugestões e referências:

Site:

Penso, logo invisto! (CVM). http://pensologoinvisto.cvm.gov.br/tag/nudge/.

Livros:

Nudge: O Empurrão para a escolha certa - Cass Sunstein e Richard Thaler (2008).

Nudge: Como tomar melhores decisões sobre saúde, dinheiro e felicidade - Cass Sunstein e Richard Thaler (2019).

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