Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro retrai 1,5% no primeiro trimestre de 2020

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um certo local ao longo de um período; em suma, é uma forma de compreender as oscilações na atividade econômica de uma região, ou ainda, em determinados setores, indicando como os agentes econômicos enfrentam a produção, ou ainda, o consumo, os gastos do governo, os investimentos, as importações e as exportações. No Brasil, é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na última sexta-feira (29), o IBGE apresentou os resultados para o primeiro trimestre de 2020. Segundo o órgão, houve retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 (comparado ao quarto trimestre de 2019), na série com ajuste sazonal. Ainda, em comparação com o mesmo período do ano anterior, a variação negativa foi de 0,3%.

Um dos principais motivos para tal ocorrência foi a pandemia de Covid-19, que atingiu o país e o mundo. Porém, vale ressaltar que o aumento do número de casos e a implantação das medidas de isolamento social ocorreram a partir da segunda quinzena de março, de modo que esse resultado trimestral divulgado só reflete aproximadamente quinze dias dos efeitos internos da crise sanitária.

Por setores, o PIB da agropecuária teve elevação de 0,6%. O baixo crescimento está relacionado aos efeitos da Covid-19 em outros países, principalmente na China, considerando que grande parte da produção desse setor é voltada à exportação. O setor industrial e de serviços tiveram queda de 1,4% e 1,6%, respectivamente.

O consumo das famílias teve retração de 2,0%, enquanto as despesas de consumo do Governo cresceram 0,2%. Vale ressaltar que nesse período ainda não havia sido instituído o Auxílio Emergencial e, portanto, seu efeito tanto no consumo das famílias quanto nos gastos governamentais não foi captado.

A Formação Bruta de Capital Fixo, que diz respeito aos investimentos de longo prazo nas empresas – em geral, máquinas e equipamentos, teve crescimento de 3,1% no período. O aumento é explicado pelo planejamento das empresas que ainda não contava com os efeitos da pandemia, principalmente nos setores de petróleo e gás. A importação desses equipamentos também contribuiu para a elevação 2,8% na conta de Importações de Bens e Serviços, enquanto as exportações retraíram-se em 0,9%.

            Verifica-se que, como era esperado, a pandemia de Covid-19 teve efeitos sobre a atividade econômica. Considerando as exportações, os efeitos sobre setores voltados para o comércio exterior já haviam sentido os efeitos anteriormente. Com o avanço da doença no país, houve a paralisação na oferta de diversos setores, o que impactou no mercado de trabalho e na renda. Em um movimento em cadeia, tem-se impactos no consumo das famílias, isto é, na demanda.

Ainda, vale ressaltar que o indicador engloba o período de janeiro a março. Para o segundo semestre, cujos resultados serão publicados pelo IBGE em agosto, poder-se-á avaliar qual tem sido a eficiência dos policymakers em conduzir as políticas fiscal e monetária.  O fato é que as expectativas são de uma nova retração, visivelmente maior que a do primeiro trimestre.

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