Profissionais do cuidado

Jornal Integração - Mário Vicente

Feliz Dias das Mães! Imagem de homenagem do Jornal Integração

Texto disponível na p. 2 - Quadro Opinião, Edição 1773, de 12 de maio de 2020 (https://jornalintegracao.com/edicoes)

 

Amar, cuidar, auxiliar nos primeiros passos, indicar os preceitos éticos e morais iniciais... entre todas as outras atividades realizadas, essas são extremamente ligadas às mães, cuja data comemorativa ocorreu no último domingo. Sob o ponto de vista econômico, como mensurar o valor das atividades das mamães, profissionais do cuidado?

            O Produto Interno Bruto (PIB) é a principal medida do valor gerado por uma economia e representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos em uma localidade ao longo de um certo período. Essa soma, porém, não incorpora os trabalhos não-remunerados e informais, de modo que não engloba atividades como cozinhar, limpar a casa e cuidar das crianças.

O fato é que a maior parte dessas ações são realizadas por mulheres (geralmente, mães) e, segundo estimativas da ONU Mulheres, essas atividades poderiam representar entre 10% a 39% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Apesar da enorme contribuição do trabalho não-remunerados no sentido de suprir necessidades de serviços, não é levado em consideração na análise econômica.

Infelizmente, a importância dos cuidados com os filhos e com a casa só passam a ter valor quando deixam de ser realizados por alguém da esfera familiar. Por exemplo, quando uma criança cuidada pelos pais, cujo trabalho não tem “valor” na esfera econômica, passa a ser cuidada por outra pessoa, levada por um transporte escolar, educada em uma creche particular, tem-se geração de valor a ser considerado no PIB: a remuneração da pessoa que cuida, o pagamento do transporte, a mensalidade escolar e assim por diante. Isso indica que os trabalhos dos pais e, em especial, da mãe, apresentam uma importância que muitas vezes é negligenciada na economia.

Outro ponto de vista dessa análise é sobre como os cuidados maternais assumem grande relevância inclusive sobre o crescimento econômico. O economista James Heckman dedicou-se ao estudo da primeira infância e concluiu que o investimento nesse período é uma estratégia eficaz para a melhoria da economia. Entre 0 e 5 anos, o cérebro se desenvolve rapidamente e é mais maleável, de modo que é mais fácil incentivar habilidades cognitivas e de personalidade necessárias para o sucesso na escola, saúde, carreira e na vida. Nesse sentido, o incansável trabalho de garantir uma boa educação e de cuidar dos filhos, com atenção, amor e bons hábitos pode ter efeitos positivos sobre o desenvolvimento econômico da nação.

Diante disso, cabe às mais diversas instituições valorizar a economia do cuidado, permitindo reduzir e redistribuir o trabalho doméstico não remunerado; nesse sentido, a ONU sugere, por exemplo, aumentar os empregos remunerados nesse setor da economia e incentivar os homens a dividir o trabalho de cuidado e o trabalho doméstico (o que muitas vezes é enfrentado como tabu, considerando alguns estigmas sociais infundados na racionalidade). Ainda, vale ressaltar a importância de direitos como licença e salário maternidade como formas de garantir a presença dos pais no desenvolvimento da criança.

            Em última análise, esse texto busca ressalvar a importância das Mamães para a economia, além da importância afetiva, familiar e cultural. Objetiva valorizar essas profissionais em cuidar, que merecem todo respeito, de seus filhos e das instituições. É uma singela homenagem a todas as Mamães leitoras deste quadro, em especial, à minha Mamãe – Ediri.

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