Caridade e Amor ao Próximo

Sinônimos? Não. Dois conceitos diferentes, na verdade.

A caridade existe nas formas desinteressada e interesseira, enquanto que o legítimo amor ao próximo existe apenas no modo interessado. Interessado em proporcionar ao semelhante aquilo que lhe é de fato útil, não importando se lhe causa ou não alguma alegria passageira. A caridade usualmente está envolta em indulgência e complacência, ao passo que o amor ao próximo só conhece a justa severidade.

Caridade é uma prática que pode eventualmente trazer algum benefício momentâneo se utilizada com parcimônia e, sobretudo, quando submetida às indicações da intuição espiritual, situação que só ocorre com a espécie “desinteressada”. Como diz Abdruschin em sua Mensagem do Graal (bit.ly/Mensagem-OGT), "a caridade é apenas uma pequena parte do conteúdo da Palavra de Deus."

No entanto, ao contrário do que tantos supõem, a caridade não é a expressão última do verdadeiro amor ao próximo. Quando praticada de modo descontrolado, descuidado, a caridade traz graves prejuízos tanto aos receptores quanto aos doadores. É o que ocorreu, e continua a ocorrer, com os grandes expoentes da caridade no mundo de hoje. Se a caridade não for praticada unicamente em casos especiais, urgentemente necessários, e sob a severa direção da intuição, então o doador não poderá contar com os bons efeitos retroativos da Lei da Reciprocidade (bit.ly/2SPCYj1), visto ter acarretado muito mais danos do que benefícios. Sim, porque com o doar unilateral, sem exigir nenhuma contrapartida, ele nada mais fez do que incentivar a indolência espiritual do próximo, não atentando à incontornável Lei do Equilíbrio (bit.ly/2S9oaXQ).

Por outro lado, o genuíno conceito de “amor ao próximo” advém diretamente da significativa sentença do Mestre: “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Quando bem compreendida e praticada, esta sentença constitui a escada mais segura, mais firme, para a evolução e ascensão do espírito. Sobre isso, diz Abdruschin em Na Luz da Verdade – a Mensagem do Graal:

“Jesus já mostrou para vós também em relação a isso o caminho singelo que leva infalivelmente ao alvo, pois profunda verdade reside nestas simples palavras: ‘Ama teu próximo como a ti mesmo!’

Com isso deu a chave para a libertação, para a ascensão! Porque é incontestável: o que fazeis ao próximo, fazeis na realidade somente para vós! A vós somente, pois tudo, de acordo com as leis eternas, recai infalivelmente sobre vós, o bem ou o mal, seja aqui ou já no Além. Virá! Por conseguinte, com isso vos é apontado o caminho mais simples, como deveis conceber o passo para a boa vontade.

Com vossa maneira de ser, deveis dar ao vosso próximo! Não, por acaso, com dinheiro ou bens. Pois assim os pobres ficariam privados da possibilidade de dar. E nesse modo de ser, nesse ‘dar-se’ no convívio com o próximo, na consideração, no respeito que vós lhe ofereceis espontaneamente, está o ‘amar’ de que nos fala Jesus, está também o auxílio que prestais ao vosso próximo, porque nisso ele se torna capaz de modificar-se por si mesmo ou prosseguir em direção ao alto, porque nisso ele pode fortalecer-se.”

Não é difícil perceber qual deve ser nossa disposição íntima em relação aos nossos semelhantes.

Roberto C. P. Junior

(Conheça as obras publicadas pela Ordem do Graal na Terra. Acesse: bit.ly/livros-OGT.)

Este post em áudio: bit.ly/RJ201201.
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