Democracia: O Ocaso de Uma Ilusão

Certa vez, o estadista britânico Winston Churchil declarou: “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”. Uma constatação que, em nossa triste época, até poderíamos tomar como certa, embora isso em nada atenue o descalabro que caracteriza o regime democrático.

O fato é que hoje não existe nenhum sistema de governo que sequer se aproxime do que é justo e verdadeiro. O justo e o verdadeiro não segundo a opinião humana, mas sim conforme preconizado por determinadas leis inflexíveis, que regulam toda a obra da Criação e que nada têm a ver com qualquer religião instituída.

Do mesmo modo, a tão citada frase “cada povo tem o governo que merece” também tem muito de verdadeira, porém num grau muito maior do que geralmente se supõe. Sim, porque tal como os demais regimes degenerados do nosso tempo, a democracia já constitui, por si mesma, um retorno cármico coletivo. Colhemos no tempo presente o que nós mesmos semeamos em eras passadas, com nossa maneira errônea de atuar, com nossa crônica indolência espiritual, interessados muito mais em direitos do que em deveres.

A democracia é um compêndio quase completo de tudo quanto o raciocínio humano conseguiu formar de deturpado. Só a existência dos chamados “parlamentos”, onde se abusa da palavra humana de todas as maneiras possíveis e impossíveis (http://on.fb.me/1YzltLG) já demonstra o grau de degradação desse regime, um verdadeiro escárnio em relação às leis universais.

As profundas falhas e contradições do regime democrático, porém, não irromperam apenas agora, nas últimas décadas, mas sim são inerentes a esse sistema político, fazem parte intrínseca de sua constituição. Quando o ideal democrático começou a ganhar corpo na Grécia, por volta de 508 a.C., observou-se um fenômeno curioso: quanto mais agraciado era um político com o dom da oratória, tanto mais seguramente ascendia ele na conceituação do povo e tanto mais rapidamente se destacava na “Assembleia dos Cidadãos”, o equivalente da época ao Congresso de hoje. Se o que era dito tinha ou não valor, era irrelevante, o que importava era falar bem. O historiador José Américo Motta complementa: “Parecia não existir em Atenas um partido no qual um homem que não quisesse abrir mão de princípios éticos pudesse se integrar.” Familiar?... Mas não apenas isso. Era quase impossível decidir alguma coisa na dita Assembleia dos Cidadãos, pois os integrantes frequentemente deixavam de comparecer ao plenário. Ausentavam-se para poder cuidar de seus assuntos particulares…

A democracia é uma das muitas excrescências produzidas pela contínua e irrefreável decadência humana, que vem já de milênios. O fato de sua origem ser tão antiga, demonstra que já naquela época a maior parte da humanidade vivia de forma contrária às leis naturais.

Em épocas passadas, quando a humanidade ainda vivia integrada a essas leis, os regimes de governo também eram completamente diferentes. Na Caldeia, em Sabá, e mesmo mais recentemente no Império Inca, vigorava a verdadeira arte de governar. Poder-se-ia chamar esses regimes de autocracias, porém com uma diferença fundamental. A autocracia daqueles tempos não era o “regime do mais forte”, e sim o “regime do mais sábio”. E mais sábio era aquele que melhor compreendia as leis da vida e que mais desenvolvido se encontrava espiritualmente. Os dirigentes eram pessoas que já nasciam predestinadas a governar. Traziam em si um sentido incorruptível da verdadeira justiça e, com sua visão mais ampla que a dos demais, estavam aptos a reconhecer de que forma deveriam conduzir o povo, para que este alcançasse seu máximo desenvolvimento espiritual e terreno. Uma maneira de governar que o ser humano de hoje sequer consegue imaginar, ou nem mesmo merece saber que existiu.

Esses povos antigos reconheciam com gratidão a sabedoria dos seus governantes e, por isso, seguiam à risca, confiantemente, as diretrizes de governo. Integravam-se naturalmente em castas sociais; não umas sobre as outras, mas umas ao lado das outras. Não havia evidentemente nenhum tipo de opressão, mas todas as castas, da mais alta à mais baixa, eram consideradas de igual importância, pois o bem do país e do povo dependiam do trabalho conjunto e harmonioso de todas elas, segundo as capacitações de cada um. As castas se formavam de acordo com a maturidade espiritual das pessoas.

O desconforto que alguns sentem em relação a essas palavras é natural, pois estamos por demais convencidos da capacidade humana em resolver os problemas criados pela própria humanidade. Só mesmo quando todo o errado se autoexaurir, se autoconsumir num completo e indisfarçável malogro, é que a humildade será finalmente reencontrada. E somente com a humildade redescoberta é que poderá ser encontrado o caminho de volta para o modo correto de vida em todos os sentidos.

E aos que retrucam que a forma de governo indicada é utópica, confirmo que têm absoluta razão. É, sim, uma completa utopia para a época presente. No solo ressecado da política atual jamais poderia florescer algo de belo e útil. Antes, esse solo terá de ser completamente limpo das ervas daninhas, do sarçal venenoso plantado e tratado pela legião dos maus jardineiros da política, tão orgulhosos de seu nefasto trabalho.

A forma de governo daquelas eras antigas nada tinha de semelhante com os regimes de hoje, particularmente a democracia, a qual em sua maior parte se fundamenta na hipocrisia. Pois nada mais é do que hipocrisia quando se diz que o povo é sábio. Não é. A maior parte, portanto a parcela que elege os dirigentes, se comporta como um rebanho indolente e inconsequente, tocado de lá para cá por capatazes políticos mediante promessas que nunca se cumprirão. Somente hipocrisia reside também nas expressões: “barganha política”, “base parlamentar de apoio”, “compatibilização de interesses”… Todas eufemismos para corrupção pura e simples.

O único alento que se extrai de todo esse quadro deprimente é o saber de que a democracia não perdurará. Ela é apenas uma ilusão, que não se sustentará indefinidamente. Aliás, já está em seu ocaso, pois tudo quanto é errado, nocivo ou inútil não pode se manter para sempre. Dura um certo tempo e se desintegra, por efeito automático das mencionadas leis naturais básicas. O que não é capaz de se adaptar a essas leis simplesmente não se conserva, quer se trate do próprio ser humano ou do que ele inseriu no mundo, sejam modos de vida, doutrinas econômicas, sistemas religiosos, conceitos filosóficos ou regimes políticos.

A classe política remanescente terá necessariamente de redirecionar seus objetivos e procedimentos, ajustando-os a princípios bem diferentes dos atuais, pois caso contrário não será remanescente. Quanto às pessoas de boa vontade do nosso tempo, não precisam se desesperar nem ficar amarguradas. Ao contrário, devem procurar viver em restrita conformidade com as mencionadas leis naturais (http://on.fb.me/1MkBS4L), para poderem forjar para si um belo futuro, pois cada qual é o único responsável pelo seu próprio destino.

O regime político do futuro se aproximará mais dos exercidos por determinados povos antigos, não por acaso relegados à curiosidade histórica ou completamente esquecidos pelo Homo politicus moderno, essa estranha criatura, que em sua decadência mal pressentida se intitula autossuficiente, mas que em seus atos se mostra apenas como autoiludida.

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Roberto C. P. Junior

(http://bit.ly/rcpjunior)

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