O Império da Trepadeira

A palavra que designa mentira em hebraico é “sheker”, que também pode ser usada para indicar qualquer outro pecado. Certamente isso não é nenhum acaso, pois a mentira é a raiz de muitos males e de muitos pecados. De quase todos, na realidade.

Tudo na atual vida humana está impregnado de mentira. Regimes políticos e profissões, religiões e ciências, artes e literatura, crenças esotéricas e filosofias multifacetadas. Nada ficou livre dela, como consequência natural da profunda queda espiritual de toda a humanidade. Nada pôde manter-se apartado dela e muita coisa nem mesmo quis.

Vivemos sob o império da mentira. É como se toda a Terra inteira tivesse sido envolta por um único e denso lodaçal que fez submergir sem resistência a orgulhosa raça humana, impedindo qualquer integrante dessa espécie de chegar à tona, mesmo que queira, muito menos ainda de voltar a ver com clareza e respirar ar puro.

A mentira tornou-se o esteio da vida moderna, a base dos relacionamentos familiares, profissionais e públicos. É a imperatriz do mundo. A primeira lição que uma criança aprende, ainda no berço, é como mentir e enganar, com os seguidos exemplos dados pelos pais e parentes próximos. Mentem entre si diuturnamente pais e filhos, professores e alunos, patrões e empregados, governantes e governados. Na política atual, os exemplos de falsidade são tantos que nem é possível discorrer sobre eles.

E as “meias verdades”? Poderiam elas ser usadas em determinadas circunstâncias, para evitar um mal maior?... Meias verdades são sempre mentiras inteiras, como já bem diz um outro provérbio hebraico. E que mal maior seria esse? Nenhuma perplexidade passageira pode ser pior do que os efeitos de qualquer mentira, por menor que seja. Ela age sobre o espírito humano vivo, que ainda se esforça em ascender, como uma trepadeira aparentemente inofensiva, mas que cresce cada vez mais, sem que o tronco se dê conta do perigo que corre, até que por fim acaba asfixiando-o, independentemente do tamanho da árvore.

A Verdade provém do onipotente Criador. Ela nutre e revigora o espírito humano, e é para ele o caminho reto da ascensão espiritual (http://on.fb.me/1VB8Fpi). Já o seu antônimo, a mentira, é um produto exclusivo da nossa espécie humana degenerada. Esta última corrói a alma, suga as derradeiras forças do espírito e é para ele o poço que o conduz com a máxima segurança às profundezas da degradação total.

O ser humano corte a sua trepadeira individual sem pestanejar, com o máximo rigor e rapidez, antes que seja tarde demais e já não possa mais movimentar-se para se libertar dela.

Roberto C. P. Junior

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Este post em áudio: bit.ly/LQ161204.

 

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