Agronews

Amipa faz chegar a Catuti protótipo de colhedora da Embrapa Algodão, para ser testada em áreas de produtores familiares que têm no algodão a sua fonte de renda

Assessoria

A expectativa dos pesquisadores é a de finalizar os testes em dezembro ou em janeiro de 2021

Muito aguardado pelos produtores familiares de algodão de Catuti, no Norte de Minas, filiados à Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), o protótipo de uma colhedora de algodão acoplada em trator e reboque, específica para agricultura familiar, deixou Campina Grande (PB) e foi entregue em Catuti, no dia 15 de junho.

O transporte da máquina, desenvolvida e cedida pela Embrapa Algodão, foi viabilizado por meio de acordo entre a Associação e a Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat). Sua entrega representa um grande passo para a mecanização da colheita em pequenas áreas de produção do algodão no Semiárido Mineiro, atividade que representa a principal fonte de renda dos agricultores familiares da região.

A cessão do protótipo para teste em áreas produtoras pequenas foi possível graças a uma ação conjunta entre a Amipa, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Embrapa Algodão e a Coopercat.

A iniciativa está prevista no Projeto + Algodão - Fortalecimento do Setor Algodoeiro que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), tem como objetivo “construir os elementos para garantir a sustentabilidade da produção de algodão latino-americana com uma abordagem sistêmica, com a colaboração de instituições brasileiras reconhecidas por seus conhecimentos e experiência em pesquisa e políticas públicas, assistência técnica e extensão rural, comercialização e organização da cadeia de valor”.

O Projeto + Algodão tem sua origem na união de esforços entre o Governo Brasileiro, por meio da ABC e do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), a FAO e outros sete países parceiros: Argentina, Bolívia, Equador, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru. No Brasil, o projeto tem gestão conjunta com o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), alcançando também a cotonicultura familiar de outros Estados.

Liberação junto à Embrapa Algodão

No dia 20 de maio, em ofício à Embrapa Algodão com o pedido para liberar a colhedora aos pequenos cotonicultores associados à Amipa, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destacou as dificuldades dos agricultores familiares com os custos elevados na contratação de mão de obra para realizar a colheita manual, que podem até inviabilizar a atividade na safra. “Em função dos desdobramentos do novo coronavírus, a venda de algodão para o mercado interno está paralisada, sem nenhuma entrada de receita para estes agricultores, o que agrava ainda mais a situação dos pequenos produtores de algodão dessa região”, destaca Portocarrero na solicitação.

Em resposta, o chefe geral interino da Embrapa Algodão, Liv Severino, deu início no mesmo dia às providências necessárias à logística de transporte, promovendo a mobilização entre as equipes da empresa de pesquisa e da Amipa. “Estamos felizes com a oportunidade de testar este novo equipamento em condições reais junto a produtores de algodão em áreas ...

Moinho Consolata

... pequenas”, manifestou Severino em sua mensagem.

A etapa final, de transporte, ocorreu com o apoio direto da Associação à cooperativa, formalizado com a assinatura de um Termo de Repasse de Recursos Financeiros, pelas duas empresas.

Na opinião do diretor executivo da Amipa, Lício Sairre, o apoio aos associados da agricultura familiar é natural por parte da entidade, que sempre concentrou esforços para a retomada e a sustentabilidade da cotonicultura no Semiárido do estado. “Com o advento do protótipo, surge a possibilidade de reduzir custos com a colheita e, quase certo, de um risco menor de contaminação da pluma. Junto a outros projetos dedicados aos pequenos produtores, criados pela Associação com apoio do Proalminas e da Coopercat, como o da irrigação de salvamento, vislumbramos no futuro próximo maior incremento de renda com a produção de algodão familiar na região”, afirma.

O assessor técnico da cooperativa, José Tibúrcio de Carvalho Filho, informa que uma área de 80 hectares no Norte de Minas foi preparada, desde o início da safra 2019/20, para a experimentação do protótipo, um equipamento que não é automotriz e é adaptado para colher 1 linha por vez. “Foi preciso readequar o espaçamento de linha de 50 cm para 75 cm, para possibilitar o teste com a colhedeira. Essa mecanização é fundamental para os produtores familiares do algodão aqui da região. Com a máquina, o patamar do custo com a atividade mecanizada vai se aproximar dos 5%, bem inferior ao da colheita manual, que pode chegar a 60%”, explica ele.

O produtor Arcelino Leão (38) reside em Espinosa, um dos 11 municípios do Norte mineiro com cotonicultura familiar, e cultiva algodão há quatro anos, os últimos três como associado da Amipa. Plantou, na safra 2019/20, três hectares e meio em sistema irrigado, bem inferior aos oito hectares (cinco em sequeiro) do ciclo anterior. Diz que a chegada da máquina ficou incerta por causa da pandemia de Covid-19 e que talvez faça toda a colheita manual neste ano.

“Estamos esperançosos com essa máquina. Aqui na região as parcerias com a Amipa e com a Coopercat são essenciais, sem elas já teríamos desistido. Ajudaram bastante com os kits de colheita, nesta pandemia, e acredito que vão ajudar mais ainda. A cooperativa nos ajuda com assistência técnica, fornecendo alguns insumos, também no beneficiamento e na comercialização. E a Associação, buscando tecnologias e recursos, como é o caso dessa máquina. Ela tem compromisso em nos ajudar”, relata Arcelino.

O produtor Adelino Lopes (62), de Catuti, também deu andamento à colheita manual da safra 2019/20, mas disse ter separado parte da área plantada de 14,5 hectares para o teste da colhedeira, que está previsto para ocorrer a partir de julho. “A expectativa é grande, mesmo com o atraso da chegada da máquina por causa da pandemia. Agora é continuar desfolhando, preparando a área para começar a testar”, afirma.

Em atendimento ao Acordo e Protocolo definidos para a liberação da máquina, a Coopercat deverá seguir as recomendações de segurança durante o teste da colhedora nas áreas produtivas, como o distanciamento social e outras medidas necessárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus, minimizando os riscos à saúde dos agricultores e técnicos envolvidos.

Protótipo da Embrapa Algodão

A tecnologia está em desenvolvimento, há três anos, pelos pesquisadores da Embrapa Algodão, Odilon Reny Ribeiro e Valdinei Sofiatti. Acreditam que ela pode solucionar um dos maiores gargalos da cotonicultura na agricultura familiar, que é o custo elevado em função da escassez de mão de obra para a colheita manual. Representa, portanto, uma saída para viabilizar o cultivo do algodão na região semiárida brasileira e também em pequenas áreas algodoeiras dos países da América Latina.

O protótipo consiste em uma colheitadeira de uma linha, acoplada em trator e reboque para armazenamento do algodão colhido. A colhedora possui 2,10 m de altura, 3,15 m de largura e 2,05 m de comprimento, chegando a pesar 1.700 kg. O reboque, com peso de 800 kg, tem 2,88 m de altura e 2,30 m de largura, sendo o comprimento do cesto e do cabeçalho de 3,10 m e 2,00, respectivamente.

A tecnologia apresenta, entre outras características, unidade de colheita de fusos, retirados de uma colhedora usada John Deere, modelo JD 9970, e chassi montado no sistema de três pontos do trator, de forma que a unidade de colheita trabalhe na sua lateral, colhendo uma única fileira de algodão.

Odilon diz que a sua previsão era a de estar em Catuti junto com o equipamento, para avaliar e acompanhar o teste in loco. Com a intenção descartada, diante das medidas de isolamento por causa do novo coronavírus, a máquina foi enviada e terá acompanhamento do seu desempenho à distância.

Um aspecto fundamental para o bom desempenho do protótipo, citado pelo pesquisador, é a adequação da lavoura à colheita mecânica. “Não pode ter sujeira, pedra, tocos, algodão tem que ser plantada em linha reta com plantadeira. Tem que ter espaço para fazer a volta com o trator sem gastar tempo, não dá para fazer curvas em áreas muito pequenas. Se tiver uma fileira mais comprida, vai colher mais, com menos manobras”, alerta.

Destaca também que, para realizar o teste com o equipamento, o ideal é contar com até duas pessoas para acompanhar o processo, ver se o algodão está caindo direito, e um tratorista com habilidade. “A unidade de colheita tem que ir reto, centralizada na linha, sendo recomendável um espelho retrovisor na frente do trator para conduzir melhor o alinhamento. Importante também é uma lavoura adequada, ela não pode estar úmida, porque o algodão vai embuchar”, recomenda.

Em termos de manutenção, Odilon informa que a maior demanda da máquina é pelo engraxamento, que deve ser diário. “Acredito que uma lata, um galão de graxa, que custa em torno de 350 reais, dá para uma semana de trabalho. Então, seriam demandados quatro galões em 30 dias”, diz ele. Além disso, também aconselha a limpeza diária da máquina antes de começar a atividade, em especial a dos fusos, retirando a sujeira. A colhedeira é um processo complexo, tem que estar a toda hora cuidando, observando, evitando o embuchamento.

Odilon explica que, além do envio da máquina para teste, é esperada a realização de alguns experimentos pelo assessor técnico da Coopercat, para uma melhor avaliação. Entre eles, a separação de amostras do algodão colhido, para serem analisadas no equipamento High Volume Instrument (HVI), da Embrapa Algodão. “É prevista a coleta de várias amostras de 300 g, para retirada das impurezas a olho nu. Tem que determinar também as perdas, o que ficou no campo, o que ficou na planta. Qual foi a velocidade e quanto fez, tudo o que ajudar na avaliação da máquina”, destaca.

Depois do teste em Catuti, o protótipo retorna à Paraíba, desta vez ao município de Alagoinha. Logo depois, entra em teste na estação experimental de Barbalha, no Ceará e, por fim, segue para uma última etapa experimental no campo de Ibimirim, em Pernambuco.

A expectativa dos pesquisadores é a de finalizar os testes em dezembro ou em janeiro de 2021. Após a etapa de validação, estimam realizar dias de campo nas cidades de Alagoinha, Barbalha e Ibimirim, além de um possível retorno da máquina a Catuti, a ser avaliado no futuro, em conjunto com a Coopercat.

 

Leia mais

https://jornalintegracao.com/noticias/megas-sena-sorteia-neste-sabado-premio-estimado-em-r-40-milhoes

https://jornalintegracao.com/noticias/com-alta-de-24-5-exportacoes-do-agronegocio-batem-recorde-para-meses-de-junho-e-ultrapassam-us-10-bilhoes

 

Siga o Jornal Integração nas redes sociais e fique bem informado:
RECEBA O NOSSO BOLETIM EM SEU E-MAIL!

--