Economia

BC aponta recuou do PIB no 1º trimestre, e economistas cortam projeções

O indicador do Banco Central que mede a atividade econômica brasileira caiu 0,68% no primeiro trimestre de 2019, na comparação com os três últimos meses de 2018. O movimento reforçou a previsão entre economistas de que o início deste ano foi mais negativo do que se esperava inicialmente.
Em relação a fevereiro, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC) de março, divulgado nesta quarta-feira (15), recuou 0,28% e emendou o terceiro resultado mensal negativo. Na comparação com igual mês de 2018, o indicador caiu 2,52%.
Economistas previam queda mensal de 0,20% e de 2,2% na comparação interanual, de acordo com projeções da agência Bloomberg.
O trimestre foi marcado pelo desempenho ruim sobretudo da indústria e do setor de serviços. Segundo o IBGE, a produção industrial fechou o período com queda de 0,7% ante o quarto trimestre de 2018, enquanto o segmento de serviços teve retração de 0,6%.
O comércio, apesar de encerrar o com alta de 0,2%, fechou apenas março 6,1% abaixo do pico atingido pelo setor nos meses de outubro e novembro de 2014.
"Os serviços foram muito fracos e pode ter aí um efeito do Carnaval também. A indústria sofreu com a contínua queda da extrativa mineral. E o comércio foi positivo, mas ainda fraco, à exceção dos automóveis", diz Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset no Brasil.
Na terça-feira (14), o próprio Banco Central apontou, na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), uma "probabilidade relevante" de que a economia brasileira tenha recuado no primeiro trimestre deste ano.
O banco suíço UBS revisou sua projeção para o período de um ligeiro avanço de 0,1% em relação ao último trimestre de 2018 para uma queda de 0,1%. "Expectativas de crescimento para 2019 caíram desde fevereiro e desde março esse movimento se intensificou", diz o relatório.
Além dos indicadores fracos, o UBS cita problemas do lado da oferta e o baque na produção de minério de ferro, após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG).
O americano Goldman Sachs também reviu sua projeção para o primeiro trimestre de uma alta de 0,2% para uma queda de 0,1%. Além disso, rebaixou sua expectativa para o crescimento do PIB em 2019, de 1,7% para 1,2%.
Os números oficiais da economia no início de 2019 serão divulgados pelo IBGE no dia 30 de maio.
No quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu 0,1% sobre os três meses anteriores e terminou 2018 com expansão de 1,1%.
"Havia uma expectativa de que, depois da desacelerada da economia no último trimestre do ano passado, com a redução da incerteza eleitoral e os juros começando a ceder um pouco, o primeiro trimestre deste ano poderia ter um desempenho melhor", diz Flávio Serrano, economista sênior do banco de investimentos Haitong.
As expectativas foram se alterando, segundo ele, conforme mudou a percepção de quando e como a reforma da Previdência será aprovada. "É uma incerteza importante e que acaba segurando parte dos investimentos."
As preliminares do desempenho econômico do Brasil em 2019 já vinham fazendo o mercado revisar nas últimas semanas suas projeções de crescimento para o ano.
Nesta segunda-feira (13), economistas ouvidos pelo Banco Central reajustaram para baixo pela 11ª semana seguida a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Segundo a pesquisa Focus, a expectativa agora é que o crescimento fique em 1,45%.
Na mesma data, o Itaú Unibanco projetou que o desempenho da economia brasileira neste ano não deve ser superior ao do ano passado, que foi de 1,1%. A previsão anterior, divulgada há um mês pelo banco, era de avanço de 1,3%.
Já o Bradesco havia cortado sua estimativa para 1,1% na semana passada, consolidando a expectativa de que a economia terá mais um ano perdido.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta terça-feira (14), que a economia brasileira está no "fundo do poço", ao comentar que as projeções já indicam um crescimento de 1,5% do PIB neste ano.

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