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Café: da produção sustentável até a xícara

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O café nasceu na Etiópia mas bem que poderia ser brasileiro. A cafeicultura é parte da história do Brasil-Colônia. Em plena colheita, espera-se que sejam colhidas cerca de 60 milhões de sacas, entre arábica e conilon. 

Neste dia 24 de maio é comemorado o Dia Mundial do Café. A bebida só perde em consumo mundial para a água. Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Bahia e Rondônia são os estados produtores. A Região Norte vem ganhando destaque nos últimos anos. De acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves, “o Brasil possui uma das cafeiculturas mais emblemáticas do mundo e o consumo direcionado pode ser uma forma de engajamento ambiental”. 

Novas tecnologias de produtividade

Alves destaca que em uma análise das safras entre os anos de 2001 e 2019 houve um decréscimo de 19% na área cultivada, cerca de 500 mil hectares a menos. Mas, ao contrário do se poderia imaginar, a produção do grão aumentou 58% no período. “Esse maior rendimento das lavouras foi motivado, principalmente, pela incorporação de novas tecnologias no campo, que fizeram a produtividade média das áreas subir de 14 para 27 sacas por hectare, um aumento de 93%” diz.

A renovação das lavouras também contribuiu (média acima de 6% ao ano), demonstrando que, as áreas em formação são, em sua maioria, a substituição de plantios obsoletos por outros mais tecnológicos. 

Dentre as novas tecnologias incorporadas na cafeicultura, podemos citar: melhoramento e seleção genética, manejo de irrigação, arranjos espaciais eficientes, conservação do solo e manejo integrado de pragas e doenças. Tudo isso tornou as lavouras brasileiras mais sustentáveis e ...

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... agronomicamente eficientes. 

“Os números demonstram que a evolução da cafeicultura no Brasil, passa longe do desmatamento. O país se consolida como a “nação do café”, sendo responsável por cerca de um terço da produção mundial”, explica.

Café sustentável

Nos últimos anos o café descobriu os sabores da Amazônia, mas a atividade é antiga na região. Segundo relatos históricos, a primeira lavoura de café do Brasil foi cultivada em terras do norte, no Estado do Pará, em 1727. Depois, foi levada para a região sudeste, mais evoluída à época, e se desenvolveu nos moldes como conhecemos hoje.

Hoje Rondônia é destaque na região, sendo responsável por 97% de todo o café produzido na Amazônia. A expectativa de produção para a safra de 2020 é superior a 2,3 milhões de sacas, produzidas em uma área plantada 78% inferior à de 2001, e com 71 mil hectares, sendo 65 mil em produção e seis mil em formação. Em quase duas décadas, a produtividade evoluiu para 36 sacas por hectare, graças aos produtores que, a cada ano que passa se dedicam mais ao uso de tecnologias de base sustentável. 

“Se o Brasil fez o dever de casa nos últimos anos, os cafeicultores da Amazônia estão fazendo tarefas extras. Pois, se existe uma região no globo terrestre que pode aumentar vertiginosamente a sua produção de café, sem que seja necessário um único hectare de desmatamento, ela está no Estado de Rondônia” destaca o pesquisador.

Para Alves o argumento do vínculo entre a produção da cafeicultura e o desmatamento não procede. “Não apenas a cafeicultura reduziu a área utilizada de lavouras, como se tornou mais eficiente e produtiva. E, ouso dizer que quem ama as florestas deveria consumir mais cafés brasileiros e, principalmente os amazônicos. O mercado mundial de café já valoriza muito o comércio justo – fair trade e poderia passar a pagar um “green forest trade” para os cafés amazônicos com viés ecológico”.

A cafeicultura pode ser genuinamente sustentável e uma aliada à preservação das florestas. Por apresentar alto rendimento econômico por hectare, quando comparado a outras mais extensivas, é capaz de sustentar a qualidade de vida dos cafeicultores e suas famílias em pequenos módulos rurais. Isso representa menor pressão sobre a floresta e menor suscetibilidade desses agricultores a atividades ambientais predatórias. 

O melhor do sabor

Depois de conhecer a produção e seu valor sustentável para o Brasil nad melhor do que sorver uma xícara. Mas quais os segredos para uma experiência única?

A Gerente de Cafés da Nespresso no Brasil, Claudia Leite, dá as dicas:

- A primeira é o terroir, essa expressão francesa herdada da cultura do vinho que significa o solo onde ele é plantado. As melhores características, que são o aroma e sabor dos grãos, vem de safras nas quais as plantações estão posicionadas entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio, aqueles mais próximos da linha do Equador, que divide o globo em dois.

- A segunda está na seleção dos grãos. O robusta tem sabor mais intenso e tem mais cafeína e o arábica é mais delicado e doce. 

- A terceira também é chique. O blend é outra expressão herdada da cultura do vinho, mas de raiz na língua inglesa, e se refere a vinhos que são resultado da mistura de diferentes uvas. Para o café, tem o mesmo sentido, de sinalizar uma bebida final na xícara que reúna características de sabor de diferentes grãos e processamentos para um resultado único. Então saiba fazer a torra.

- A quarta dica para uma experiência sempre incrível ao tomar um café, é a embalagem em que ele está armazenado. As embalagens individuais garantem consumo sem desperdício e o alumínio preserva o sabor de forma que, na hora de beber, todo frescor de uma moagem feita na hora seja percebida.

 

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