Celso Furtado: um pensador do Brasil

      Se estivesse vivo, Celso Furtado comemoraria cem anos de idade em 2020. Apesar de suas importantes contribuições enquanto pensador da economia e da realidade do Brasil e, principalmente, enquanto atuante cidadão nos diversos campos em que esteve presente, essa personalidade é pouco conhecida ou relembrada fora das situações acadêmicas. Diante disso, o texto desta semana propõe apresentar de forma sucinta um pouco da história de Furtado.

      Celso Monteiro Furtado nasceu no sertão paraibano, na cidade de Pombal. Com 19 anos, foi estudar Direito no Rio de Janeiro, onde também trabalhou como jornalista e, depois, como assistente de organização. Durante a Guerra, foi convocado para servir na Força Expedicionária Brasileira. Em 1948, torna-se doutor pela Universidade de Paris, com uma tese sobre a economia colonial do Brasil.

      No ano seguinte, Furtado passa a residir no Chile, integrando a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). Durante sua atuação, esteve em contato com diversos pensadores econômicos e realizou estudos sobre o subdesenvolvimento e a relação entre as nações centrais e periféricas. Nesse período, realiza missões em diversos países latino-americanos e visita universidades norte-americanas.

      Entre 1957 e 1958, é convidado para o ano letivo no King’s College da Universidade de Cambridge. Ao final, publica o livro Formação Econômica do Brasil, profunda análise e interpretação da história econômica, inaugurando uma perspectiva única sobre os ciclos econômicos do país e que é leitura obrigatória para qualquer estudante que queira entender o Brasil contemporâneo.

      Atua no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (atual BNDES) e em outras atividades relacionadas ao desenvolvimento do país. Em especial, elabora o estudo “Uma política de desenvolvimento para o Nordeste”, que seria o pontapé inicial para a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) (1959).  Em 1962, é nomeado Ministério do Planejamento.

      É exilado durante a ditadura militar, período no qual atua em diversas universidades renomadas em todo o mundo, fazendo conferências e congressos; é convidado também para lecionar na Universidade de Paris, sendo o primeiro estrangeiro nomeado para uma universidade francesa. Leciona em diversas outras universidades, atua na Organização das Nações Unidas, publica livros, realiza pesquisas. Com toda certeza, foi um nome que presentou muito bem o Brasil ao longo desses anos, sendo que seus estudos se tornaram referência internacional.

      Em 1986, é nomeado ministro da Cultura, aprovando a primeira lei de incentivos fiscais à cultura. Infelizmente, não lecionou no país; recebeu, porém, diversos títulos de doutor Honoris Causa, no Brasil e no mundo e, em 1997, é eleito para Academia Brasileira de Letras. Ele faleceu em 2004, no Rio de Janeiro.

      Celso Furtado dedicou sua vida e obra para entender e interpretar o Brasil; dedicou principalmente sua atuação para fazer o possível para transformar a realidade para um Brasil melhor e mais desenvolvido. Que possamos seguir o exemplo de Furtado, um pensador de esperança e que via no planejamento uma forma de termos um país melhor; sobretudo, que além de pensar, possamos atuar para mudar nossa realidade.

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