Saúde

Cuidadores de idosos enfrentam desafios durante pandemia

Rotina dos cuidadores tem sido mais desafiadora por lidarem com público de risco para o coronavírus.

Divulgação

Após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pelo surto de coronavírus, os cuidadores de idosos tiveram que redobrar a atenção com seus pacientes, a fim de zelar pela segurança daqueles que são especialmente vulneráveis a Covid-19.

É o caso de Lorena Lira Ponte, que atua como cuidadora de idosos em Londrina, Paraná. “Minha rotina agora é de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Acompanho uma senhora de 80 anos de segunda a sábado e ando tomando todos os cuidados necessários, evitando contato com outras pessoas. Sempre colocando minha paciente em primeiro lugar”.

Assim como muitos profissionais, Lorena ficou bastante apreensiva no início da pandemia, “minha saúde mental está um pouco mais tranquila agora, mas confesso que no começo fiquei bastante abalada, pois tive muito medo de contrair o vírus e transmiti-lo a minha paciente”, conta.

De acordo com informes divulgados pela Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde, os idosos são mais suscetíveis aos índices de letalidade quando atingidos pelo novo coronavírus, devido à baixa imunidade e a complicações decorrentes da doença, como síndromes respiratórias agudas graves.

Atualmente, a cuidadora tem visto o cenário atual com bons olhos para não passar uma imagem de “desespero e impaciência” à senhora que atende. Segundo Lorena, a comunicação clara combinada com otimismo é a melhor forma de lidar com essa situação. “Minha paciente tem agido bem durante a pandemia, tenho conversado sobre o assunto para ela entender da melhor forma. Sempre passando palavras e atitudes positivas”.

Crescimento da profissão

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revela que o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263, em 2007, para 36.720, em 2018. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de familiares que se dedicavam aos cuidados com pessoas de 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões em 2016 para 5,1 milhões em 2019.

A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Dalia Romero, aponta que aproximadamente 500 mil domicílios brasileiros possuem idosos que necessitam de ajuda externa para a realização de suas atividades. Segundo ela, em 28% dos casos, essa ajuda é cedida por um cuidador.

Na prática

O trabalho de um cuidador de idosos não se limita a realização de tarefas cotidianas e procedimentos técnicos, segundo Lorena Lira Ponte, é preciso “empatia, paciência, amor ao próximo e respeito às limitações com o avançar da idade de cada um”.

Há um ano ao lado de sua paciente de 80 anos, Lorena atribui seu pai como principal responsável pelo interesse na área. “O que me motivou foi um acidente que ocorreu com meu falecido pai. Ele precisou de cuidados especiais e através disso, percebi que poderia oferecer um cuidado de amor, carinho e diminuir o sofrimento para os demais”.

Para ela, mesmo em tempos desafiadores, a profissão é sinônimo de gratidão. “Tenho orgulho dessa profissão, a qual posso levar amor, carinho e alívio no sofrimento da minha paciente e de seus familiares. Digo com toda certeza de que todos os dias aprendo algo novo com essa profissão. Na verdade, ela nos ensina a sermos fortes e melhores a cada dia”.

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