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De olho em 2020, Trump propõe mudança em sistema de 'green card'

O presidente Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (16) um plano para reformar o sistema de imigração dos EUA para favorecer candidatos jovens instruídos, que falem inglês, em vez de pessoas que tenham laços familiares com americanos. Amplamente criticado por democratas e grupos de defesa da imigração, o plano tinha como objetivo tentar unir os republicanos -alguns que querem impulsionar a imigração, outros que querem restringi-la- e marca a diferença do partido em relação aos democratas, antes das eleições presidenciais e parlamentares do próximo ano.

"Hoje estamos apresentando um contraste claro. Os democratas estão propondo fronteiras abertas, salários mais baixo e, francamente, um caos sem lei. Nós estamos propondo um plano de imigração que coloca os empregos, os salários e a segurança dos trabalhadores americanos em primeiro lugar", afirmou em discurso no jardim da Casa Branca. As propostas devem enfrentar resistência com o controle do Congresso dividido entre democratas na Câmara e republicanos no Senado.

Iniciativas anteriores de reforma imigratória de outros governos acabaram fracassando porque os partidos não conseguiram entrar num acordo. "Se por algum motivo, possivelmente político, não conseguirmos que os democratas aprovem esse plano de alta segurança baseado em mérito, então vamos aprová-lo imediatamente após a eleição, quando retomarmos a Câmara, o Senado, e, claro, a Presidência ", disse Trump.

O presidente reiterou sua defesa da construção de um muro na fronteira com o México, defendendo a criação de um "fundo para a segurança nas fronteiras" a ser financiado com taxas pagas nos cruzamentos fronteiriços. Ele criticou a ideia de que pessoas sejam admitidas nos EUA porque têm parentes no país e disse que pessoas demais que recebem "green cards" estão competindo por salários baixos e empregos de baixa qualificação.

Trump defendeu a adoção de um modelo como o canadense para "criar um caminho claro para os maiores talentos". "Nós discriminamos os gênios. Nós discriminamos os brilhantes. Não faremos mais isso quando aprovarmos isso [o plano], e esperamos aprová-lo o quanto antes." Além de aprender inglês, os imigrantes também teriam de passar por um exame de assuntos "cívicos". Líderes empresariais, que há muito defendem uma política imigratória mais liberal para que possam contratar no exterior, receberam bem as propostas.

Jay Timmons, chefe da Associação Nacional de Manufaturas, disse que a indústria está "contente em ver que os planos do presidente estão alinhados com várias de nossas ideias, como o aumento da imigração baseada no emprego e as boas-vindas àqueles com habilidades que a força de trabalho demanda". O plano não lida com a questão dos milhares de pessoas que já vivem e trabalham nos EUA ilegalmente e dos chamados "dreamers", que chegaram de maneira ilegal quando eram crianças.

Protegê-los da deportação e criar uma maneira de que obtenham status legal é há muito tempo um objetivo dos democratas. A pré-candidata democrata à Presidência e senadora Amy Klobuchar disse que a Casa Branca está "mais uma vez usando imigrantes como peças no jogo político". Hoje, cerca de dois terços do 1,1 milhão de pessoas autorizadas a emigrar para os EUA a cada ano recebem "greencards" concedendo residência permanente por causa de laços familiares.

Trump propôs manter os números gerais de imigração estáveis, mas mudar para um sistema "baseado em mérito" que, segundo ele, resultaria na concessão de 57% dos "green cards" tendo por base empregos e habilidades. Antes do discurso, a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara, disse que "mérito" era um termo "condescendente". "Eles estão dizendo que a família é sem mérito? Eles estão dizendo que a maioria das pessoas que já vieram para os EUA na história do nosso país não tem mérito, porque eles não têm um diploma de engenharia?", disse ela.

O plano também atraiu preocupações de grupos linha-dura que querem restringir a imigração. "O fato de que nem ao mesmo defende uma redução modesta na imigração total, mas em vez disso compensa as eventuais reduções com um aumento da imigração baseada em habilidades, é muito preocupante", disse Mark Krikorian, chefe do Center for Immigration Studies. Trump se candidatou em 2016 prometendo construir um muro na fronteira sul dos EUA com o México para manter os imigrantes fora do país e lutou contra o Congresso para obter financiamento para isso. O plano também não inclui mudanças buscadas por grupos de lobby empresarial para ajudar agricultores e outros empregadores sazonais a obter mais trabalhadores convidados, ou reformas para programas de vistos para a área de tecnologia.

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