Desculpa e Perdão

A partir deste ano, o Brasil conta com uma nova data comemorativa: o “Dia do Perdão”, a ser celebrado em 30 de agosto. Mas no que constitui de fato o perdão verdadeiro? Qual a sua real abrangência? Desculpar e perdoar são a mesma coisa?...

 

Falhas todos nós temos, erros todos nós cometemos. É algo inerente à vida terrena, a qual se constitui numa escola para o espírito. Ninguém entra numa escola já sabendo toda a matéria do curso e acertando tudo na prova. Estamos aqui para aprender e evoluir, e nesse processo cometemos erros e falhas. Só não erra quem nada faz, seja por medo, covardia ou indolência. E estes são justamente os que menos estão em condições de progredir. São os que nunca passam de ano, eternos repetentes, estagnados e incapazes de prosseguir no caminho do desenvolvimento. Pois é muito melhor errar na tentativa de acertar do que nada fazer por medo de errar. Quem erra ainda pode aprender com seu erro, ao passo que quem nada faz nada aprende, nada assimila.

 

Quando o erro causa um dano qualquer a um semelhante, é preciso repará-lo. Se foi um dano intencional, então é algo especialmente grave, e o causador precisa reconhecê-lo rápida e integralmente, redirecionando ao mesmo tempo sua maneira de viver para que isso nunca mais se repita. Se não foi intencional, é menos grave, mas mesmo assim é preciso corrigi-lo ...

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... tão logo surja o reconhecimento. Se a correção não for feita por voluntária disposição, a infalível lei da reciprocidade, ou lei do retorno (http://on.fb.me/1fojJ8D), cuidará de trazer de volta ao agente o efeito do dano causado ao seu próximo, seja por negligência, descuido ou qualquer outro motivo.

 

A maneira de obter reparo de um dano causado a outrem é obter seu perdão. Perdão real, verdadeiro, a ponto de nada restar no coração da pessoa atingida. Pois o perdão sincero sempre retira dois pesos: o de cima dos ombros de quem feriu e o de dentro do coração de quem foi ferido.

 

O perdão tem de ser integral, completo, do contrário é mera desculpa de falha. Se alguém apenas desculpa uma falta de seu próximo, mas insiste em desconsiderá-lo continuamente, então é porque não o perdoou. O real perdão deve se espelhar na atuação da Justiça divina, a qual perdoa realmente uma criatura que pecou, se esta reconhece o seu erro e se esforça diligentemente em repará-lo. Depois de perdoada é impossível dizer se aquele ser humano pecou, pois seu erro foi de tal forma extinto que nenhum sinal dele permaneceu dentro da obra da Criação. Isso, e apenas isso, é realmente perdoar.

 

Bem ao contrário ocorre com o ser humano em relação ao seu próximo quando o “perdoa” de um erro qualquer. Frequentemente, com ares de magnanimidade, ele o faz saber que lhe perdoa por uma pequena falta, mas nunca deixará de exclamar aos quatro ventos: “Ah! Aquele é fulano, que me fez isso e aquilo outro. Eu, porém, já o perdoei!…” Hipocrisia, somente hipocrisia reside no falso perdão humano. Em tal caso, o atingido apenas emitiu algumas palavras consensuais, desculpando o faltoso, mas não o perdoou de maneira alguma.

 

Se alguém que nos causou um mal qualquer vem nos pedir perdão, então, como sempre, devemos fazer uso da intuição espiritual, que nunca se engana. Se ela indicar sinceridade naquele pedido, então devemos, sim, conceder um perdão pleno, de todo o coração. Se nos recusarmos a isso, e apenas o “desculparmos” com as palavras usuais de cortesia social, então também nos enredaremos num carma negativo pela nossa rigidez interior e pelo desejo nefasto a isso ligado, consciente ou não, de que o agressor seja atingido por uma dor semelhante àquela que nos causou. Não, nada disso. Permaneçamos livres de tudo o que escurece a alma e constrange o espírito.

 

Roberto C. P. Junior

 

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