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Eclipse de domingo na astrologia: ‘Sob a lei do tempo, tudo tem seu custo e seu limite’, diz Laura Berbert

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O eclipse deste domingo (5) terá início às 00h07 (noite de sábado para domingo) e atinge o máximo 01h30. O evento chega ao fim às 02:52 e encerra um ciclo de eclipses que vem acontecendo desde o ano passado. Os eclipses lunares, como este que acontecerá no domingo, ocorrem quando a Lua é ocultada totalmente ou parcialmente pela sombra da Terra e, em geral, podem ser vistos a olho nu. São muitas as leituras e interpretações possíveis para os eclipses, que mobilizam as atenções das civilizações desde os tempos mais remotos.

Para entender um pouco mais sobre a interpretação da astrologia para este eclipse lunar que nos aguarda, conversamos com a artista visual e astróloga, Laura Berbert. Aquariana com ascendente em peixes, Laura conta que sempre teve curiosidade em relação à astrologia. Desde a adolescência, lia a página de horóscopos das revistas e dos jornais. “Com 19 anos, acessei a primeira leitura do meu mapa natal, comprada em de um desses sites populares que oferecem esse tipo de serviço”, lembra. 

Formação em astrologia: um caminho vivo e plural

Quando tinha 24 anos, Laura teve a oportunidade de fazer a leitura do mapa com uma astróloga, Júlia Hansen. Pouco tempo depois da leitura, pediu a ela indicações de bibliografias para estudar. Sentia desejo de se aprofundar na compreensão de seu próprio mapa. Paralelamente, em seu percurso como artista visual, vinha realizando uma pesquisa sobre a passagem do tempo, mais especificamente sobre a relação entre luz e tempo. 

Um semestre após a leitura (com a astróloga), participou de uma residência artística a partir da qual desenvolveu a instalação “Tudo forma uma rotação luminosa”, resultado de um mês de pesquisa sobre a relação entre o céu e a terra, entre o dia e a noite e os seus ponteiros de luz. No desenvolvimento da pesquisa, sua maior referência foi a astrologia, tratados de astronomia e literatura – em especial, os diários da Maria Gabriela LLansol.

 

‘Sob a lei do tempo, tudo tem seu custo e seu limite’, diz Laura Berbert

Depois desse trabalho, Laura conta que não dissociou mais estas 3 linguagens: a arte, a astrologia e a escrita. As três passaram a compor o seu trabalho artístico de forma constante e entrelaçada. Em 2016, ingressou no mestrado em Artes Visuais, com um projeto que tinha como objeto de estudo a relação entre o corpo e o diário (o registro íntimo do tempo), como um método cartográfico. Nesse período, teve a oportunidade de fazer uma disciplina sobre tratados alquímicos, o que acabou inserindo-a ainda mais no universo da mitologia e dos símbolos. 

Ao longo do mestrado, desenvolveu dois trabalhos que guiaram a escrita da dissertação, e que foram um marco em seu caminho enquanto artista. “Hoje entendo que a forma como  trabalho a astrologia começou lá”, conta. O primeiro deles foi o “Vir a céu”, uma instalação de desenho e vídeo, que partiu da imagem do arcano maior do tarot – a Temperança – e dos arquétipos dos signos da Virgem e dos Peixes. O segundo, foi o trabalho de pesquisa “A Lua e a Força”, que desenvolveu em “Travessias Ocultas”, residência itinerante organizada pela Lastro Arte, quando viajou com mais nove artistas pela Bolívia durante um mês. Todas as artistas compartilhavam o fato de pesquisar assuntos relacionados ao universo do “ocultismo”. Nesta viagem, pesquisou a simbologia da Lua na cosmologia boliviana. 

Ao final do mestrado, seu trabalho artístico estava imerso no universo da mitologia, da astrologia e da psicologia analítica. Durante os dois anos de pesquisa, um dos autores que mais presentes em seus estudos foi Carl Gustav Jung, um dos mais próximos discípulos de Freud, com quem cortou relações em 1914 para desenvolver sua própria teoria, a psicologia analítica. Depois disso, Laura, que nasceu em Uberlândia (MG), se mudou para São Paulo e, vivendo a chegada à nova cidade, mergulhou nos estudos sobre astrologia. Foi aí que começou experimentar a prática astrológica de fato. 

A essa altura, acompanhar o movimento dos planetas no céu, e escrever sobre isso em seus diários, já era parte de seu cotidiano, e, aos poucos, foi começando a ler mapas de amigos. Durante quase um ano, leu os mapas de todos os seus amigos, e isso, também aos poucos, foi virando trabalho. No início de 2019, resolveu começar a formação em Astrologia na Saturnália, escola fundada pelo astrólogo João Acuio, e também uma especialização em Psicologia Analítica, no Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa. Desde meados de 2019, ela atua ativamente e oficialmente como astróloga.

O teatro do céu, o espelho da Terra

Mas por que estamos contando tudo isso se a ideia era falar do eclipse? Simples. Se você teve paciência de ler essa matéria até aqui, deve se interessar de fato por astrologia, e um ponto muito importante sobre esta linguagem-ferramenta e, ouso dizer, tecnologia, é que as formações e trajetórias que capacitam um profissional para praticá-la são diversas. Nenhum astrólogo é igual ao outro, e é muito comum que a astrologia seja a segunda ou terceira formação de alguém. Existem astrólogos historiadores, psicólogos, escritores, sociólogos artistas, e cada uma dessas composições, somadas a experiências de vida diversas, carrega consigo uma bagagem diferente.

Astrologia é muito mais do que os clássicos e genéricos horóscopos diários que estamos acostumados a ler em sites, revistas e jornais. Astrologia é um caminho possível e para aprofundar olhares sobre nós mesmos e sobre o mundo, sobre o particular e o coletivo. A astrologia se relaciona com muitas ciências e pode ser vista, como alguns astrólogos gostam de a definir, como o “teatro do céu”, ou o “espelho da terra”. 

Por isso, antes de falar do eclipse, vamos lembrar: leituras astrológicas são interpretações, podem variar, e não prevêem o futuro. Mas podem ser um recurso poderoso para que nos apropriemos de nossas próprias histórias, construindo futuros possíveis de forma mais consciente e ativa, individual e coletivamente. Dito isso. Vamos ao eclipse?

Clara Caldeira: O que significa um eclipse lunar para a astrologia? Quais as principais diferenças simbólicas entre um eclipse lunar e solar?

Laura Berbert: Os eclipses acontecem sempre que há um alinhamento exato entre o Sol, a Lua e a Terra. O eclipse solar acontece sempre na Lua Nova, e é quando a Lua se coloca entre o Sol e a Terra, eclipsando o Sol, ocultando-o. 

Já o eclipse lunar, acontece na Lua Cheia, e aí é o contrário, é quando a Terra fica entre o Sol e a Lua, então a Lua é ocultada pela projeção de sombra da Terra.

Um eclipse é, portanto, um evento de ocultação da luz. Na astrologia, o Sol e a Lua são os luminares, os corpos celestes que estão relacionados aos fenômenos de luz. O Sol é quem impõe a luz, e a Lua o reflete. O Sol é a clareza, o doador da vida, a consciência, é o centro do espírito, e a Lua, por sua vez, é o instinto, o inconsciente, a necessidade, a afetividade (entendendo o afeto como aquilo que nos move, que nos afeta).

Então, se em um eclipse lunar, a Lua desaparece e, por um momento, prevalece a força do Sol no céu, as razões da consciência, da clareza, da individualidade. Quando é um eclipse solar é o contrário, por um momento o Sol desaparece, então prevalece a força da Lua, a força da afetividade, dos instintos, do inconsciente. 

De modo geral, os eclipses são eventos que quebram o ritmo na ordem celeste, que apontam mudanças relacionadas ao eixo zodiacal em que acontecem.

CC: Quais as particularidades do eclipse deste domingo (5)? Ele será em que eixo/signo? Quais as pessoas e lugares mais afetados e o que determina essas diferenças? 

LB: O eclipse deste domingo será um eclipse lunar penumbral (a Lua apenas atravessará a zona de penumbra provocada pela Terra). Portanto, ela será momentaneamente sombreada no signo de Capricórnio. Podemos pensar que, por um momento, no ritmo celeste, a luz do Sol em Câncer vai prevalecer. 

Esse é o último eclipse de uma série que, desde o ano passado, acontece no eixo Câncer-Capricórnio. Portanto este é o eixo que esteve sob processo de transformação. Câncer é o signo que trata da ancestralidade, da memória, da nutrição emocional. É o signo governado pela Lua, portanto está relacionado ao arquétipo da mãe. Já Capricórnio, o seu oposto, é o signo das construções sociais, das ações pragmáticas em prol de uma meta, das autoridades, das relações políticas, e é governado por Saturno, o planeta relacionado às restrições.

Vale lembrar que os eclipses são vistos pela astrologia como eventos celestes de natureza coletiva, de impacto social. É claro que os seus efeitos se manifestam por toda a Terra, mas costumam ser mais expressivos nos lugares em que são visíveis. Este, no final de semana, será visível na América do Sul.

É claro que podemos pensar os seus efeitos dentro do mapa de cada pessoa, mas se o eclipse acontece para todos nós, acho que é um bom exercício pensar em que medida as transformações individuais se conectam com o coletivo. Para pensarmos nos nossos próprios mapas, precisamos procurar onde está o eixo no qual acontece o eclipse, às quais casas astrológicas ele está relacionado, pois serão nessas áreas que vamos sentir a força do evento. E as pessoas que têm planetas colocados nos graus próximos do que acontece o eclipse, serão especialmente afetadas. No eclipse do próximo domingo, vale dar uma olhada nos graus 13 de Capricórnio e Câncer.

 

CC: O que esse eclipse de domingo agora tem a ver com os outros que vivenciamos recentemente em 2020?

LB: Como eu disse, esse é o último eclipse de uma série que vem acontecendo no eixo Câncer-Capricórnio desde o ano passado. O acontecimento dos eclipses neste eixo, somado a presença de Saturno em Capricórnio desde o final de 2018, e Júpiter no mesmo signo, desde o final de 2019, esclarece a natureza dos processos sociais que estão acontecendo. Capricórnio é o signo das estruturas políticas, da tradição, e, de repente, isso tudo entra em colapso. Percebemos as estruturas que estão carcomidas por uma ambição desmedida. Saturno nos mostra que não é possível um crescimento irrestrito. Sob a lei do Tempo, tudo tem o seu preço e o seu limite. Com a restrição, somos obrigados a retornar à casa (para quem isso é possível), a rememorar e honrar a ancestralidade, a ouvir os povos indígenas – que há muito tempo são os guardiões da terra, a dar lugar à voz das mulheres, a cuidar dos nossos afetos e, sobretudo, a compreender a dimensão política da nossa intimidade.

O eclipse de domingo é o último neste eixo, mas ele continuará ativado pela presença de Saturno e Júpiter em Capricórnio até o final do ano. 

CC: Você tem alguma sugestão de movimento, ritual ou prática para este domingo?

LB: Há astrólogos que dizem que o momento do eclipse não é bom para rituais, por ser um evento de ocultação de luz. Mas se é um evento em que uma das luzes desaparece, penso que é um momento propício para deixar coisas para trás. Se Capricórnio é o signo que trata das nossas ambições, acredito que vale pensar nas ambições que já não fazem mais sentido, e permitir que elas sejam eclipsadas com a Lua.

CC: Para quem se interessa por astrologia que dicas você daria em termos de páginas para seguir, sites para acessar ou cursos para fazer?

LB: Minha principal referência hoje é a Saturnália, escola na qual estudo, e, portanto, a minha indicação para quem tenha interesse em estudar astrologia. E a maior parte dos astrólogos que acompanho são astrólogos de lá. Deixo aqui uma lista de perfis no instagram: @saturnalia_ , @luzeira.astrologia, @despropositos_nataliaxavier, @faetusa_tirzah, @corvarioastrologia, @putaceu, @coletivocapella, @astrologues.fluente, @vespertinaastrologia e @magaastrologica.

Laura Berbert seguem fazendo leituras de mapa natal, revolução solar e trânsito astrológico remotamente durante o período de isolamento social. Para saber mais sobre o valor do investimento e acompanhar seu trabalho, basta procurá-la pelo Instagram @lauraberbert. para conhecer seu trabalho como artista visual, também é possível acessar seu portfólio.

 

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