Trânsito

Especialistas debatem soluções para acabar com a violência no trânsito

Dálie Felberg/Alep

Uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (08) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) chamou a atenção para um dos principais causadores de mortes no Brasil: o trânsito. A audiência “Maio Amarelo: formas e meios para a redução dos acidentes de trânsito no Paraná” discutiu como diminuir a tragédia sobre rodas no Paraná. Proposta pelos deputados Delegado Recalcatti (PSD) e Goura (PDT), o debate fez parte do movimento que tem como proposta chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo e que visa diminuir o número de acidentes e preservar a vida.

“Esta audiência trata de como mudar este quadro. É importante que a sociedade e o poder público debatam e encontrem soluções para diminuir e acabar com a violência no trânsito. Os índices têm diminuído, mas não podemos tratar estas mortes com naturalidade”, disse Goura. Para o parlamentar, fatores como imprudência e a falta de uma engenharia de trânsito que privilegie pessoas em detrimento da velocidade são responsáveis pelos índices. “Estamos trabalhando em algumas frentes para melhorar, como a implantação de mais áreas e vias calmas, um projeto de lei que cria o Estatuto do Pedestre, a implantação de ciclovias nos trechos urbanos de rodovias, além do projeto de lei que cria rotas de cicloturismo no Paraná”, enumerou.

O deputado Delegado Recalcatti concordou. “Queremos promover um amplo debate e buscar soluções legislativas conjuntas na construção de um trânsito melhor e menos violento”, afirmou. “Esta forma de acidente é uma das que mais mata no mundo. Infelizmente, o Brasil ocupa lugar de destaque neste ranking”, lamentou.

Sinal verde – Não é apenas em maio que ações são desenvolvidas. Muitas entidades trabalham o ano inteiro para diminuir o impacto da violência em ruas e estradas. Elas estiveram presentes no debate na Assembleia Legislativa. Além dos deputados proponentes, participaram do encontro o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Daniel Costa, o subcomandante do Batalhão de Trânsito (BPTran), major Itacir Antônio Alves Pereira, o chefe de gabinete do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Éverson Puchetti, o diretor geral do Hospital Universitário Cajuru, Juliano Gasparoto, a coordenadora estadual do programa Vida no Trânsito, Tania Trindade, o vice-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, Mauro Gil, o coordenador-geral do Ciclo Iguaçu, Fernando Rosembaum, o representante da Pastoral do Trânsito, Cesar Ribeiro, e o 2° tenente da Aeronáutica, Rubens Fantinato.

Daniel Costa, da PRF, lembrou que o Maio Amarelo é uma oportunidade de reflexão. “Mais de 35 mil pessoas morrem todo ano no Brasil vítimas do trânsito. Podemos pensar que isso ocorre de forma natural, por causa do aumento do número de condutores e automóveis. Mas não. Esta é uma realidade brasileira. A Polícia Rodoviária trabalha principalmente para evitar que as infrações de trânsito se tornem acidentes, como é o caso do excesso de velocidade”, explicou.

Já Juliano Gaspareto, do Hospital Cajuru, em Curitiba, chamou a atenção para um dado que muitas vezes fica em segundo plano: os custos de acidentes aos cofres públicos. “O Cajuru atende apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e custa R$ 120 milhões ao ano. Cerca de 20% do atendimento é destinado a vítimas do trânsito. Ciclistas e motociclistas são 60% do total. Com o que é gasto com vítimas de trânsito, seria possível construir um novo Cajuru a cada três a quatro anos”, disse.

Sinal vermelho – De acordo com o Detran-PR, há um número elevado de mortes no Paraná. São cerca de 20 mortes a cada 100 mil habitantes. Segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), em 2018 foram 47 mortes por acidentes de trânsito, em Curitiba, contra 54 no ano anterior, com redução de 12,9%.

No Brasil, foram registradas 37.345 mortes de trânsito em 2016, segundo o último ano com dados disponíveis no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. De acordo com a Agência Brasil, o número é 14,8% menor do que o registrado, por exemplo, em 2014, quando ocorreram 43.870 óbitos no trânsito brasileiro. A meta do país, em 2020, é não ultrapassar o número de 19 mil vítimas fatais por ano. O país aparece em quinto lugar entre os recordistas em mortes, segundo Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Está atrás somente da Índia, China, Estados Unidos e Rússia.

Sinal Amarelo – O tema da campanha do Maio Amarelo 2019 tem como foco as crianças como agentes de transformação. Televisão e mídias sociais serão usadas para chegar à população com recados e conselhos para pais motoristas, tratando de assuntos como dirigir falar ao celular ou furar o sinal vermelho.

O Maio Amarelo é um movimento mundial que nasceu da necessidade de despertar a atenção da sociedade para o crescente número de vítimas no trânsito. Surgiu em 11 de maio de 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Década de Ação para a Segurança no Trânsito. Desde então, a iniciativa propiciou a adoção de medidas de combate e prevenção à violência no trânsito, com um balanço anual dos avanços e resultados feito sempre no mês de maio. Foi designado de Maio Amarelo porque esta cor simboliza atenção e alerta no trânsito.

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