Saúde

Especialistas destacam importância da educação para frear epidemia de diabetes

Alep

“Vivemos uma epidemia do diabetes no Brasil. Estima-se que 14 milhões de pessoas tenham a doença no país. Isso representa 8,8% da população. Metade delas não sabe”. O alerta foi da presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Hermelinda Pedrosa, durante o I Seminário Paranaense sobre o Panorama da Pessoa com Diabetes, realizado nesta terça-feira (8) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Com a participação de estudiosos e especialistas de diversas áreas, a importância de elaboração de políticas públicas de educação e conscientização ganhou destaque na discussão. Frear o avanço silencioso da doença ainda é um desafio. O Brasil ocupa o 4° lugar no ranking mundial de adultos com diabetes. Entre crianças, está em 3°, perdendo para países como Estados Unidos e China.

A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) projeta que em 2060 o Paraná terá três milhões de idosos, a faixa etária com maior incidência de casos. É uma das doenças crônicas não transmissíveis com maior incidência no território nacional. Colocar a educação como ponto principal para conter o avanço do diabetes pode parecer óbvio, mas ainda é necessário em um País onde as pessoas deixam de se tratar por motivos como falta de transporte. Ou simplesmente por omissão em não medir índices de glicemia.

Neste cenário, novos medicamentos e tecnologias avançadas não fazem a diferença. É o que lembra Maria Isabel Martins, presidente da Associação Paranaense de Diabéticos e diabética há quase 30 anos. “Se não houver orientação e educação, não adianta a melhor insulina, as melhores técnicas e tratamentos”, avaliou. Em outros casos, revela-se quão prejudicial é a falta de orientação e capacitação.

De acordo com Alexei Volaco, representante da Secretaria Municipal de Saúde, um estudo do órgão mostrou que apenas 5% das pessoas não cometem erros na aplicação da insulina, realizada com a seringa. Ou seja, somente uma em cada 20 aplica corretamente o medicamento. Estima-se que Curitiba tenha 120 mil casos de diabetes.

“Fizemos uma campanha de capacitação com os médicos e farmacêuticos. Estranhamente, os índices de hemoglobina glicada aumentaram. Isso acontece após capacitações. Notamos então a importância então de orientar também aos enfermeiros que estão em contato com a população. Desde 2017, começamos a observar uma tendência de queda nos índices”, exemplificou. Hemoglobina glicada é uma forma de hemoglobina presente naturalmente nos eritrócitos humanos que é útil na identificação de altos níveis de glicemia durante períodos prolongados. Educação constante. Esta é a chave.

“Nossa proposta é implementar, concretamente, com continuidade e sustentabilidade, políticas públicas de prevenção da doença crônica não transmissível. Temos de incentivar as pessoas a mudarem de vida”, disse Hemerlinda. “O lema da SBD é educar, apoiar e transformar por meio da educação”, lembrou a professora endocrinologista da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vice-presidente da SBD, Rosângela Réa.

Prevenção – Um dos propositores do evento, o presidente da Assembleia, deputado Ademar Traino (PSDB), destacou a importância de campanhas educativas na prevenção do diabetes. “A discussão de hoje tem o objetivo de lembrar autoridades ligadas às áreas da saúde da importância de políticas públicas para conter o crescimento da diabetes.

Neste sentido, a Assembleia debate um tema de interesse da sociedade. É fundamental alertar aos órgãos públicos da necessidade de práticas inovadoras para amenizar o problema”, comentou Traiano. O seminário também foi proposto pelo primeiro-secretário, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), e pelo presidente da Comissão de Saúde Pública, deputado Dr. Batista (PMN). “O diabetes está em todos os lugares. Todas as pessoas têm casos na família. No entanto, temos novas tecnologias e novos paradigmas no debate do tema”, complementou Romanelli. Dr. Batista lembra a necessidade de prevenção.

“Às vezes as pessoas se apoiam no vício e se esquecem de praticar uma atividade física, por exemplo. Já vi casos de pessoas com diabetes que se tornaram atletas. A prevenção é a melhor cura”, disse. O parlamentar tem razão. O diabetes pode ser evitado, assim como a hipertensão e o colesterol alto, desde que hábitos saudáveis, como alimentação adequada e a prática de atividade física, sejam adotados. O estilo de vida é um fator decisivo para o surgimento diabetes tipo 2, responsável por aproximadamente 95% dos casos. No início, ele é praticamente assintomático, o que pode levar o problema a ser identificado apenas quando já começam a surgir as complicações.

Quando o diagnóstico é precoce, é possível inclusive reverter a doença por meio da alimentação e da prática de atividade física. Quando não tratado, o diabetes pode levar a complicações bastante prejudiciais à saúde, como infecções, insuficiência renal, infarto do miocárdio, derrame cerebral e doenças vasculares, como derrame cerebral até gangrena de braços e pernas. A necessidade de amputações de membros inferiores também pode ser causada pela doença. No Brasil, estimativa do Ministério da Saúde mostra que 70% das amputações de membros inferiores feitas no País estão relacionadas à doença. O diabetes é uma doença caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue. Com isso, as células do corpo ficam com pouca energia e o sangue repleto de glicose. A doença, que pode ocorrer na infância, na maioria das vezes atinge adultos. Entre os fatores de risco estão a alimentação desequilibrada, pobre em frutas e verduras e rica em carboidratos e gorduras; obesidade e sobrepeso; sedentarismo e histórico familiar. Segundo dados de 2017 do Ministério da Saúde, quase 9% da população brasileira convive com a doença.

No Paraná, apenas em 2016, o diabetes causou a morte de 3.472 pessoas e 7.201 internamentos. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o número de mortes relacionadas ao diabetes no Brasil cresceu 11,8% entre 2006 e 2016, saindo de 54.877 mortes para 61.398 no ano de 2016. Participações – O encontro na Assembleia contou ainda com a participação do diretor-geral da SESA, Nestor Werner Júnior, da coordenadora de Assistência Farmacêutica da secretaria, Deise Pontarolli, Ana Cristina Ravazzani de Almeida Faria e André Langowiski, ambos da SESA. Também participaram Mirnaluci Gama, do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, Suzana Nesi França (UEP) e Denise Beheregaray Kaplan (SBD Regional). Data – O Dia Mundial do Diabetes surgiu em 1991 por iniciativa pela Federação Internacional do Diabetes (IDF) e Organização Mundial da Saúde (OMS) diante da preocupação com o aumento do número de diagnósticos em todo o mundo. Em 2007, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O dia 14 de novembro foi escolhido para homenagear Frederick Banting que, junto com Charles Best, concebeu a ideia que levou à descoberta da insulina em 1921

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