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Especialistas repercutem renúncia de Evo Morales

Fotos Públicas

Após a renúncia de Evo Morales da presidência da Bolívia, o país amanheceu sem governante. Na avaliação do professor Juliano da Silva Cortinhas, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), esta é uma situação bastante complexa e grave.

“Mais uma vez temos um golpe de estado militar no nosso continente e isso, por si só, já é um evento bastante grave. É um evento gravíssimo. A renúncia é decorrente de uma pressão por meio da força sobre o Evo Morales, sobre o seus familiares, sobre seus assessores mais diretos; então é um golpe de estado que se dá de modo muito próximo do que ocorreu a partir dos anos 60, durante o contexto de Guerra Fria aqui na América do Sul também”, conta.

Em seu pronunciamento, Evo Morales disse que esse era um golpe de estado e pediu para que a Organização dos Estados Americanos (OEA) reconheça essa posição.

"Comunidade internacional, seja das Nações Unidas, da OEA ou da União Europeia, embaixadores, digam a verdade sobre esse Golpe de Estado. Ser indígena e ser de esquerda é outro pecado", disse.

O professor da UnB Juliano da Silva Cortinhas ressalta ainda que a situação de Evo Morales é fruto de uma série de rupturas institucionais que já vem ocorrendo na Bolívia há alguns anos.

Já o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda acredita que esta é uma intervenção extra constitucional.

“Não é um golpe militar clássico, mas é uma intervenção extra constitucional nítida. É fato que Evo Morales já vinha há algum tempo, afrontando também, por seu lado, as instituições; não respeitou o resultado do plebiscito convocado por ele próprio e insistiu em uma quarta reeleição”, relatou.

Também renunciaram Álvaro García Linera, vice-presidente do país, Víctor Borda, presidente da Câmara de Deputados, e Adriana Salvatierra, presidente do Senado.

Agora, cabe ao Legislativo escolher um novo presidente do Senado, para que ele possa acatar a renúncia de Morales e começar o processo de novas eleições. Além disso, pode ser que os legisladores definam uma espécie de "governo de consenso" até o fim do atual mandato, que vai até o dia 22 de janeiro, data prevista para a posse do próximo presidente.

Outra possibilidade é que partidos políticos e movimentos civis cheguem a um acordo em relação ao nome de algum senador que possa ocupar interinamente a presidência, enquanto o processo de novas eleições é realizado.

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