NOTÍCIA ATUALIZADA

EUA deixam Conselho de Direitos Humanos da ONU

Ilustrativa Pixabay

Os Estados Unidos se retiraram do conselho de direitos humanos das Nações Unidas nesta terça (19), acusando o órgão de ser hipócrita e ter viés anti-Israel". Ao fazer o anúncio, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, afirmou que o conselho "não é digno do seu nome".
É a primeira vez que um país deixa de forma voluntária o conselho, criado em 2006 para monitorar violações e debater a implementação de direitos humanos no mundo.
Os EUA se juntam assim a Irã, Coreia do Norte e Eritreia, únicos países que se recusam a participar do organismo sediado em Genebra (Suíça).
"Neste ano, como nos anteriores, o conselho aprovou cinco resoluções contra Israel - mais do que as aprovadas contra Coreia do Norte, Irã e Síria juntos", disse Haley. "Esse foco desproporcional em Israel é a prova de que a motivação do conselho é política."
Desde antes da chegada de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2017, os EUA acusam o conselho de seletividade por aprovar um número desproporcional de resoluções contra Israel e abrigar notórios violadores de direitos humanos como Venezuela e Líbia.
De 2009, quando os EUA aderiram ao órgão, até agora, o conselho aprovou 53 resoluções contra Israel, 21 contra a Síria, e 10 contra a Coreia do Norte - e nenhuma contra Venezuela ou China.
O conselho é composto por 47 membros eleitos por região, que têm mandatos de três anos e se reúnem três vezes por ano. Os EUA estavam no meio de seu mandato.
Haley disse que os EUA tentaram reformar o organismo, em vão. Segundo ela, países aliados não tiveram "coragem de desafiar o status quo", enquanto Rússia, China, Cuba e Irã minaram as tentativas.
A embaixadora afirmou, porém, que a medida não significa um recuo dos EUA em seu compromisso com os direitos humanos. "Alguns países argumentaram que os EUA deveriam continuar no conselho porque garantem o último rastro de credibilidade ao órgão. Mas este é o motivo pelo qual devemos deixá-lo."
A decisão foi recebida com críticas no exterior.
O chanceler do Reino Unido, Boris Johnson, chamou a decisão de "lamentável".
Entidades de defesa dos direitos humanos também criticaram. Para Juana Kweitel, diretora executiva da Conectas, o anúncio não surpreende. "É lamentável, mas coerente com a gestão Trump", disse. A seu ver, seria mais eficaz para os EUA permanecerem no conselho e nele combaterem a suposta parcialidade.
Os EUA queriam mudar o chamado Item 7 do conselho, que determina que supostas violações cometidas por Israel nos territórios palestinos sejam examinadas em todas as sessões, algo que não ocorre com nenhuma outra questão.
A decisão coincide com as críticas aos EUA pela separação de famílias de imigrantes que tentam entrar em território americano pela fronteira com o México. Na segunda (18), o alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu que Washington interrompesse sua política "inadmissível".
Após o anúncio, al-Hussein afirmou que a saída era uma "decepção". "Dado o estado dos direitos humanos no mundo hoje, os EUA deveriam se envolver mais, não se afastar".
Esta, porém, não será a primeira que os EUA ficam fora do conselho. Quando o organismo foi criado para substituir a comissão de direitos humanos da ONU, cuja credibilidade fora arranhada pela participação de países como Zimbábue e Sudão, o governo George W. Bush não entrou.
Foi só em 2009, sob Barack Obama, que os EUA aderiram.
Com o anúncio desta terça o conselho se soma a uma lista de órgãos e acordos multilaterais abandonados pelo governo Trump, que já deixou a Parceria Transpacífico (acordo comercial), o Acordo de Paris sobre o Clima, a Unesco (órgão da ONU para educação, ciência e cultura) e o acordo nuclear com o Irã.

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