Cotidiano

Gari: a profissão que merece todo o respeito

“Acordo cedo, antes mesmo que as galinhas tomo um banho e arrumo minhas coisas. Dou um beijo na minha esposa e nos meus dois filhos, saio de fininho para não acorda-los. Ao sair de casa vejo o sol devagarinho subindo e ali vejo que começa mais um dia de trabalho” conta Pedro Fiqueiras.

Assim como muitas profissões, diferente do que muitas pessoas pensam, a profissão de Gari, exige não só força e energia, mas também estudo e dedicação. Grande parte das pessoas acredita que ser Gari não é uma profissão, ou até mesmo, acreditam que qualquer um pode exercer a função, mas não é bem assim.

Para trabalhar como gari primeiramente precisa ter o ensino médio completo e também passar no concurso. Após isso, é preciso encarar seis horas por dia, seja correndo com o caminhão de lixo, ajuntando lixos deixados pela população em praças, ruas e outros. “Tem pessoas que acha que a gente não tem estudo, acham que é apenas sair catando o lixo que eles deixam, mas não é. Tem gente que por ver a gente trabalhando, joga mais lixo no chão e diz que quer “ajudar” com o nosso emprego. O gari sempre sofreu muito preconceito, mas o que as pessoas não sabem é que assim como eles nos trabalhamos, temos família e vida” explica Pedro, gari, pai e marido.

Segundo Elias D. Franco, toda segunda-feira, quando ele levanta para arrumar o seu café as 6h30 ele vê os primeiros coletores de lixo buscando de casa em casa os lixos do fim de semana. “Às vezes eu penso como deve ser difícil, nós mesmo sempre reclamamos de ter que acordar cedo para trabalhar as 7h30, mas ai vê eles que já tão cedo correm pela cidade coletando as coisas e momento algum a gente os vê parados, sempre estão em serviço e prontidão”.

O salário de um Gari vai entre R$930 á R$1.300 por mês, além de levar o lixo das casas todos os dias, os garis levantam cedo para trabalhar e assim deixar a cidade limpa. Segundo Pedro, têm pessoas que reclamam de sua presença perto delas e até mesmo falam para as crianças que se elas não estudarem vão ficar igual a ele. “É revoltante algumas pessoas passarem por você e dizerem baixinho “credo”, se os garis não tivessem nas ruas recolhendo os lixos que as próprias pessoas deixam, eu queria ver quem não iria dizer isso da cidade. Claro, que mesmo escutando isso, eu ignoro e volto ao meu trabalho, pois sei da importância dele e quero deixar a cidade limpa também para os meus filhos”.

Além do trabalho cansativo, essa porfissão também exige muito da saúde dos garis, no acesso ao lixo, eles tem o contato com os mais variados tipos de bactérias, além de descartes com produtos químicos, vidros quebrados e também lixos hospitalares.

Na tentativa de melhorar a qualidade de vida destes trabalhadores, foi feita uma nova lei de descartes de cacos de vidro, que pode multar de R$200,00 á R$2.000.00. Dona Luisa Almeia, sempre descarta cacos de vidro de forma separada do lixo normal, de acordo com ela, isso serve não só para cumprir a nova lei, mas também facilitar o serviço para quem recolhe o seu lixo. “Não custa nada para a gente separar e colocar da forma correta os cacos de vidro, porque quem for recolher depois pode se machucar, pois não sabe o que tem nas sacolas. Por isso, quando tenho cacos de vidro eu coloco enrolado em jornal e sacola separada para que assim os coletores não se machuquem”.

Pedro explica que a população não esta dando a devida atenção para o local onde esta se descartando o lixo. “Por mais que tenham várias formas públicas, mostrando onde jogar o lixo, como separar e tudo, as pessoas insistem em jogar em qualquer lugar como se nada fosse o meu trabalho não é ficar ajuntando o copo que as pessoas jogam nas ruas, mas sim limpar as folhas de árvores e coisas naturais que sujam a cidade e não a falta de educação de outros”.

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