Em meio a tantos assuntos que geram reclamações no cotidiano do povo brasileiro, um é o processo burocrático. O qual ao invés de contribuir e facilitar o dia a dia das pessoas, ou até mesmo das empresas, acaba prejudicando e atrasando alguns processos básicos. Desde uma construção de uma casa nova, ou então a adoção de crianças, até mesmo a abertura e manutenção de uma pequena empresa. Isso ocorre por conta de um longo processo de documentações e custos, que acaba fazendo com que muitos desistem de iniciar o procedimento e deixem de investir em muitas coisas. 

O detalhe é que toda essa demora e confusão que o consumidor encontra na hora de realizar algum processo, não é apenas um problema atual, mas já vem de décadas atrás. A era burocrática começa a “aparecer” aos poucos no Brasil, quando Getúlio Vargas estava tentando assumir o poder na presidência do país. No ano de 1938 foi criada o Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP, que tinha como objetivo integrar na administração pública brasileira os princípios da estrutura burocrática.

Com esta nova fase na administração pública brasileira, começou-se a perceber uma necessidade de gerar algumas regulamentações em cima de algumas áreas, como construções, aberturas de empresas, entre tantos outros. Com isso, alguns processos que costumavam ser rápidos e diretos, começaram a ter algumas mudanças e custos extras.

 Um exemplo básico de Burocracia é a adoção de crianças. Quem quer adotar, normalmente procura crianças pequenas de zero a cinco anos. Só que mesmo tendo essa faixa etária de crianças disponíveis ...

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... para a adoção, o processo burocrático de documentos, avaliações e custos, acabam atrasando em anos algo que uma vez já foi mais rápido, fazendo com que muitos casais desistam de adoção. Para os casais que queiram adotar uma criança com determinado perfil, o processo pode demorar de dois a quatro anos, já quem procura conhecer as crianças e se deixar “apaixonar” não importando sua idade ou gênero, o processo pode durar até um ano e meio.

  De acordo com Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a burocracia trava a economia e acaba tomando o tempo de quem planeja empreender. No caso de empresas, quando um investidor resolve abrir ou investir em uma empresa, existe uma longa papelada ao qual ele deve correr atrás.

Por conta da burocracia, toda a documentação passa por vários processos, desde aprovação do projeto, contrato social, abrir o CNPJ, financiamento entre vários outros, a demora se torna um peso para os empresários. Os quais acabam tendo custos altos e muitas vezes até desistem de investir. Fazendo com que o número de novas empresas diminua e com isso o número de empregos cai e acaba influenciando no crescimento socioeconômico do país.

 Compreendendo todo este processo burocrático, chegamos ao ponto mais crítico da história política brasileira, a corrupção, mas de que forma todo este processo acaba auxiliando a corrupção? Primeiramente, deve-se olhar ao seu redor em sua própria cidade. Quando um representante político resolve “investir” na educação, por exemplo, e anuncia que vai construir mais uma escola. Inicia-se um processo de licitação, ou seja, a empresa que queira fazer então a construção irá apresentar um projeto e seus custos, cabe então a Administração Pública analisar se viável ou não.

 Após ser aprovada, a empresa assina um termo de compromisso com a obra, a qual terá um custo x para ser realizada. Dessa forma, tudo poderia ser simples, a empresa vai ao local, começa a construir, mostra o quanto gastou para concluir tal fase da obra e assim receber o dinheiro do órgão público. Porém as coisas não são tão fáceis assim, por conta da demora e custos também da documentação que é necessária, começa-se um esquema de usar produtos de construção de baixa qualidade para sobrar um valor x do qual deveria ter sido investido e com isso, este valor acaba “desaparecendo” e então a empresa anuncia que precisará de mais dinheiro, com isso, começa mais uma papelada para conseguir mais investimento e assim a obra nunca sai do lugar.

 Quando os responsáveis não conseguem mais o valor que “precisam” acaba desistindo da obra a de deixando pela metade e colocando a população em uma situação desconfortável, pois aquilo que era para ser a solução acaba se tornando mais um gasto com o dinheiro público. 

Outra forma de corrupção que ocorre dentro da nossa burocracia, são os interesses políticos, por poderosos grupos de interesse, corporativas e movimentos sociais. Na maior parte dos cargos de confiança são situados num conjunto de organizações administrativas públicas de forma direta ou indireta, onde várias empresas estatais comandam partidos políticos, que negociam os bastidores políticos. Os quais são um grupo importante na influencia que liga os políticos com empresas e organizações do terceiro setor que são responsáveis pelo comando de licitações, compras públicas, desviam políticas públicas para fins clientelistas e financiam eleições.

Por Aline Redel

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