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Inseticidas podem ser contraproducentes na agricultura

O uso de inseticidas também levanta preocupações sobre seu impacto em espécies não-alvo, como as abelhas, ou seu efeito indireto sobre as aves, que comem muitos insetos. Os cientistas que estudam insetos e como eles se adaptam aos pesticidas estão descobrindo que alguns inseticidas podem fortalecer as pragas ou que a própria planta pode estar sob mais ataques de outras pragas.

De acordo com Julien Le Roy, associado de pós-doutorado do Departamento de Biologia da Western University, um pesticida pode causar um ressurgimento da praga alvo nos dias, semanas ou meses após a sua aplicação. Os inseticidas devem ser aplicados em concentrações letais e, algumas vezes, várias vezes durante o ciclo de vida da praga para serem completamente eficazes.

“Em concentrações sub-letais, um pesticida pode, de fato, aumentar a fecundidade ou longevidade de algumas pragas. Por exemplo, quando o imidaclopride (uma neurotoxina de inseto da família neonicotinóide) é aplicado em concentrações sub-letais, ele pode dobrar a taxa de reprodução do pulgão verde-pêssego”, comenta.

Além disso, os inseticidas podem ser seletivos, direcionados a um inseto em particular ou atuar em uma variedade de pragas (amplo espectro). Os inseticidas de amplo espectro são amplamente utilizados, mas podem ter efeitos adversos prejudiciais, como perturbar os inimigos naturais de uma praga.

“Nesses casos, algumas semanas após a aplicação do pesticida, a mesma praga reaparecerá no campo (ressurgimento primário de pragas) ou ocorrerá um surto de outra praga (ressurgimento secundário de pragas). Esses fenômenos foram identificados em muitas culturas, incluindo soja, batata e mais, mas são difíceis de estudar porque há muitos fatores diferentes envolvidos”, conclui.

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