Economia

Investidor negocia títulos públicos na euforia eleitoral

 O mercado de títulos públicos também se beneficiou com a euforia recente de investidores vista na alta da Bolsa e na queda do dólar.
A empolgação reflete a larga vantagem de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) na disputa do primeiro turno da eleição presidencial.
A perspectiva de que as taxas de juros futuros negociadas em Bolsa poderiam voltar a cair abriu uma janela para aplicações de curto prazo, com espaço para ganhos elevados.
Investimentos desse tipo são considerados arriscados por planejadores financeiros.
Esse investimento é possível porque os juros futuros subiram nos últimos meses, reflexo do receio do mercado com o Brasil, em meio ao cenário eleitoral incerto. Nesse caso, a comparação também equivale à Bolsa, que havia caído.
Como exemplo: um investidor que tivesse comprado um título público atrelado à inflação (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2045 no dia 28 de setembro e vendido esse mesmo papel nesta quarta-feira (10) teria conseguido uma rentabilidade bruta de mais de 10%.
A rentabilidade no período supera a taxa Selic, atualmente em 6,5% ao ano.
Nas mesmas datas, um investimento no papel com vencimento em 2024 geraria ganho de 3,93%.
A taxa de juros de um título público é inversamente proporcional ao valor do papel. Quando o juro sobe, o valor do título cai, e, quando o juro cai, o valor dele cresce.
Por isso, o investidor que compra um título público com uma taxa de juro mais alta e vende quando a taxa cai ganha dinheiro.
Michael Viriato, professor de finanças do Insper, afirma que a melhor estratégia para ...

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... esse tipo de aplicação implica a compra dos papéis de prazo mais longo.
Títulos com vencimento mais curtos, em 2024, por exemplo, têm menos espaço para ganhos desse tipo. Vencimentos entre 2035 e 2045 seriam mais vantajosos.
A reportagem apurou que algumas corretoras sugeriram essas aplicações a seus clientes nas últimas semanas e recomendaram a venda dos papéis na terça, após queda significativa nos juros futuros na véspera.
Esse foi um efeito da euforia do mercado financeiro com a larga vantagem de Bolsonaro.
O capitão reformado é tido pelo mercado financeiro como o candidato mais disposto a fazer reformas consideradas necessárias para o reequilíbrio das contas públicas por ter a seu lado o economista liberal Paulo Guedes.
Títulos públicos são dívidas do governo: quando investidores consideram que é maior o risco de calote, pedem juros maior para emprestar.
Já a expectativa de reformas significaria o menor risco de um calote e, portanto, taxas de juros menores.
A lua de mel, no entanto, teve uma trégua nesta quarta-feira, após Bolsonaro criticar a reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer.
Novas regras para a aposentadoria pública são consideradas essenciais para reduzir o déficit fiscal do país.
"Eu acredito que a proposta do Temer como está, se bem que ela mudou dia após dia, dificilmente ela será aprovada", disse o candidato.
Os juros futuros voltaram a subir. O contrato com vencimento em janeiro de 2023 passa de 9,96% para 10,06%. O contrato para janeiro de 2021 sobe de 8,64% para 8,76%.

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