Comportamento

Maio Amarelo: "Pior do que a paraplegia é conviver com a culpa de ter ocasionado a morte de um amigo"

Governo Municipal de Cascavel

Dois casais saem para se divertir numa confraternização, todos são jovens, com uma vida pela frente; as conquistas estão no auge e há motivos de sobra para comemorar... Até que uma decisão aparentemente inofensiva, até porque “fatalidades só acontecem com os outros”, muda o destino de todos eles.

É assim que começa a história do paratleta Altair Antônio Alves, de 42 anos, que até 12 anos atrás nunca havia se imaginado ter de passar o resto da vida preso a uma cadeira de rodas.

Ele estava com 30 anos de idade e no melhor momento da carreira profissional: seria promovido na semana seguinte daquela confraternização. Casado, saiu com a esposa e um casal de amigos para uma festa regada a álcool. Na volta, assumiu a direção acreditando que estava bem para dirigir em segurança, até que perdeu a noção do tempo, e a sensação espacial. Não dominou a sonolência e acabou capotando o veículo. Como todos estavam sem cinto de segurança, as consequências foram graves: o amigo, um jovem de 19 anos, faleceu no local e a namorada dele, fraturou a bacia; desmaiado, Altair logo que recobrou a consciência percebeu que já não sentia as pernas. A pessoa que menos teve sequelas foi a então esposa dele, que fraturou a perna e conseguiu chamar o socorro. A dor do acidente estava apenas começando naquele momento.

“Ali, o destino de todos nós mudou num instante e tudo virou pesadelo”, conta o personagem de hoje (26) deste Maio Amarelo Digital. Pior do que perder os movimentos das pernas para sempre, foi saber que o amigo tinha perdido a vida por culpa dele. “Mais doloroso ainda foi encontrar, depois de quatro anos, a mãe do meu amigo e ouvir dela que preferia o filho na minha condição, numa cadeira de rodas, do que morto. Conviver com a culpa é uma sensação terrível”.

Uma vida transformada pelo álcool

As dores físicas do acidente atravessam a alma e refletem na vida. O casamento de Altair não durou mais do que um ano após a fatalidade. “Eu morava no Sudoeste do Estado e minha família aqui, em Cascavel, então tivemos que mudar para cá. Perdi tudo: o casamento, tudo o que eu tinha construído financeiramente até então, o emprego, porque fique afastado ao tempo de recuperação, amigos, enfim, tive de recomeçar e encontrar um novo sentido para a vida”, relata Altair.

Na tragédia, Altair encontra forças para estimular outras vidas e ser um exemplo a não ser seguido. Hoje ele dá depoimento em minicursos para apenados por crimes de trânsito, como voluntário do Cotrans (Comitê de Trânsito de Cascavel).

“Quando se perde os movimentos e passa a viver numa cadeira de rodas, passa-se a enfrentar outros tipos de dificuldades que até então não eram imagináveis”, conta Altair, citando o preconceito da sociedade, as barreiras com a falta de acessibilidade, as dificuldades diárias para os cuidados de saúde, as restrições de trabalho, relata o paratleta que integra hoje a Associação de Paradesporto de Cascavel, por meio da qual defende a nossa cidade em campeonatos de basquete e handebol sobrerrodas.

Voluntariado

Como forma de contribuir com a sociedade, Altair passou a ser voluntário em palestras e orientações de educação de trânsito, levando a tragédia que lhe mudou a vida como forma de sensibilizar as pessoas a não cometerem o mesmo erro, como voluntário no Cotrans (Comitê Intersetorial de Trânsito)/PVT (Programa Vida no Trânsito), mostrando os prejuízos de uma simples atitude.

“Eu nunca mais bebi e sempre digo para as pessoas: não pegue uma direção depois de ingerir bebida alcoólica; tome cuidado, pois você sempre acha que nunca vai acontecer com você, mas as consequências podem ser irreversíveis, como perder membros da família, amigos e o próprio corpo ou a vida, então, perceba o risco e proteja a vida”.

 

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