Educação

Militarização de escolas paranaenses provoca debate na comunidade escolar e civil

Essa decisão, feita de forma apressada e em meio a atual crise sanitária pandêmica, não buscou debate e conscientização com a comunidade ou categoria.

Reprodução

Os/as profissionais da educação ficarão submetidos/as aos militares da reserva

A semana começou com uma notícia de grande impacto no sistema educacional do Estado do Paraná. Nesta última segunda-feira (26), sem qualquer debate com a comunidade escolar, o governador do Estado, Ratinho Jr. (PSD), anunciou que o programa de escolas cívico-militares será implementado em 215 colégios estaduais de 117 municípios de todas as regiões do Estado, a partir de 2021.

Essa decisão, feita de forma apressada e em meio a atual crise sanitária pandêmica, não buscou debate e conscientização com a comunidade ou categoria. A APP-Sindicato afirma que a lei, aprovada de forma autoritária, com as autoridades utilizando a pandemia do novo coronavírus como desculpa para evitar o debate com professores, funcionários e a comunidade escolar, é um retrocesso para a Educação pública e de qualidade no Estado. 

O projeto, no âmbito da educação, é estimulado pelo presidente Jair Bolsonaro e pela extrema-direita, conservando o princípio de substituir a pedagogia pela militarização, com a desculpa de garantir a disciplina dos jovens.

Uma educação voltada a atender interesses de grupos privados e de grupos político-partidários parece ser o método do atual governo ao impor a consulta a respeito da militarização de escolas paranaenses.

Segundo Vanda Santana, secretária-geral da APP-Sindicato, existe uma falsa ideia de que as escolas cívico-militares irão melhorar a qualidade, e que as escolas serão para os estudantes, mas não é dessa forma que irá acontecer:  os alunos que não se adaptarem a este modelo perderão sua vaga e deverão procurar outra unidade.

10 motivos para votar NÃO à militarização das escolas

1) A direção da escola fica nas mãos de um policial militar. Escola não é lugar de polícia, assim como batalhão não é lugar de professor/a.

2) A comunidade não tem o direito de escolher a pessoa que irá dirigir a escola. A Secretaria de Educação indica o Diretor Geral Militar e um/a professor/a para assumir o cargo de direção civil, mas sem autonomia e submetida às ordens do diretor-militar.

3) Caso o/a estudante não se adapte à disciplina militar, perde a matrícula mesmo que resida perto da escola.

4) Há controle da liberdade de expressão e manifestação dos/as estudantes, professores/as e funcionários/as.

5) Não há igualdade na distribuição dos recursos entre as escolas estaduais. A escola militarizada receberá mais recursos e mais profissionais, enquanto as demais continuam precarizadas.

6) A pedagogia da escola militarizada é a da submissão à disciplina militar.

7) Os/As professores/as e funcionários/as perdem a lotação, portanto, poderão ser colocados/as à disposição a qualquer momento, a depender do interesse da Seed.

8) Os/as profissionais da educação ficarão submetidos/as aos militares da reserva.

9) Crescente desvalorização da carreira dos profissionais da educação.

10) Colégio militar é para formar soldados, escola pública é para formar cidadãos/ãs humanizados, livres, plurais, diversos e emancipados.

O projeto

De acordo com o projeto, a proposta é implantar os colégios cívico-militares em municípios com mais de 10 mil habitantes que dispõem de, no mínimo, dois colégios estaduais que ofertam ensino fundamental e médio regular, situados na zona urbana. Além de outros critérios, a implantação dependerá de aprovação da comunidade escolar e disponibilidade de recursos orçamentários.

Em geral, militarizar as escolas públicas não é a solução para os problemas da educação no Paraná, a qual precisa urgentemente de valorização e melhor planejamento.

Cidades

Segundo o governo do Estado, os projetos serão implementados nas seguintes cidades:

 

Almirante Tamandaré

Ampére

Antonina

Apucarana

Arapongas

Arapoti

Araucária

Assis Chateaubriand

Astorga

Bandeirantes

Bela Vista do Paraíso

Bituruna

Cambará

Cambé

Campina Grande do Sul

Campo Largo

Campo Magro

Campo Mourão

Carambeí

Carlópolis

Cascavel

Castro

Catanduvas

Chopinzinho

Cianorte

Clevelândia

Colombo

Colorado

Cornélio Procópio

Coronel Vivida

Curitiba

Curiúva

Dois Vizinhos

Faxinal

Fazenda Rio Grande

Foz do Iguaçu

Francisco Beltrão

Goioerê

Guaíra

Guarapuava

Guaratuba

Ibaiti

Ibiporã

Imbituva

Inácio Martins

Irati

Ivaiporã

Jacarezinho

Jaguariaíva

Jandaia do Sul

Jataizinho

Lapa

Laranjeiras do Sul

Lindoeste

Loanda

Londrina

Mallet

Mamborê

Mandaguari

Mandirituba

Marechal Cândido Rondon

Marialva

Maringá

Matinhos

Medianeira

Nova Londrina

Paiçandu

Palmas

Palmeira

Palmital

Palotina

Paranaguá

Paranavaí

Pato Branco

Peabiru

Pinhais

Pinhão

Piraí do Sul

Piraquara

Pitanga

Ponta Grossa

Pontal do Paraná

Porto Amazonas

Prudentópolis

Quatro Barras

Quedas do Iguaçu

Quitandinha, Realeza

Rebouças

Reserva

Reserva do Iguaçu

Ribeirão Claro

Ribeirão do Pinhal

Rio Azul

Rio Branco do Sul

Rio Negro

Rolândia

Santa Isabel do Ivaí

Santa Tereza do Oeste

Santa Terezinha de Itaipu

Santo Antônio da Platina

São Jerônimo da Serra

São José dos Pinhais

São Mateus do Sul

São Miguel do Iguaçu

São Sebastião da Amoreira

Sarandi

Sertanópolis

Siqueira Campos

Telêmaco Borba

Tibagi

Toledo

Turvo

Ubiratã

Umuarama

União da Vitória

Uraí

 

Informações da APP-Sindicato e da União Paranaense dos estudantes secundaristas.

 

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