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Trump teria mandado ex-advogado mentir sobre negócios com Rússia, diz site

O presidente Donald Trump teria mandado o ex-advogado Michael Cohen mentir ao Congresso americano sobre as negociações envolvendo a construção de uma Trump Tower em Moscou, segundo reportagem do site BuzzFeed, que cita duas autoridades envolvidas em uma investigação sobre o assunto.
O republicano também teria apoiado um plano de Cohen de visitar a Rússia durante a campanha eleitoral de 2016, com o objetivo de conhecer pessoalmente o presidente russo, Vladimir Putin, e iniciar as negociações sobre a torre.
De acordo com as fontes, Trump teria dito a Cohen para "fazer isso acontecer."
O site diz que, enquanto o presidente dizia não ter negócios com a Rússia, ele e dois de seus filhos, Ivanka e Donald Trump Jr., eram informados regulamente por Cohen sobre os progressos envolvendo o empreendimento.
Em novembro do ano passado, o ex-advogado de Trump se declarou culpado de mentir sobre o negócio em depoimento e em uma declaração de duas páginas aos comitês de inteligência do Senado e da Câmara dos Deputados.
O procurador especial Robert Mueller, que dirige uma investigação sobre a suposta intervenção da Rússia na campanha eleitoral de 2016, afirmou que a falsa alegação de Cohen de que o projeto tinha sido encerrado em janeiro do mesmo ano era uma tentativa de minimizar "ligações entre Moscou e indivíduo 1" - que muitos dizem se tratar do presidente.
O objetivo, diz Mueller, seria restringir as investigações envolvendo a Rússia.
As duas fontes citadas pelo BuzzFeed disseram que Cohen informou ao procurado especial que, após a eleição, o presidente tinha instruído o ex-advogado pessoalmente a mentir e afirmar que as negociações haviam sido encerradas meses antes de realmente terem sido, com o objetivo de ocultar o envolvimento do republicano.
Segundo a reportagem, o escritório do procurador especial havia sido informado sobre a ordem de Trump para que Cohen mentisse após entrevistar várias testemunhas das Organizações Trump e por e-mails internos da companhia a que teve acesso, além de outros documentos.
Durante a campanha eleitoral, Trump negou veementemente ter tido qualquer negócio com a Rússia. Mas, diz o BuzzFeed, por baixo dos panos ele estava pressionando para conseguir a Trump Tower de Moscou, que o presidente esperava que trouxesse lucro de US$ 300 milhões.
As duas fontes ouvidas pelo site disseram que Trump e Cohen se encontraram pelo menos dez vezes pessoalmente para falar sobre o negócio durante a campanha eleitoral.
A Casa Branca não respondeu a pedidos de comentários do site, assim como a defesa de Donald Trump Jr. e das Organizações Trump. 
Segundo as fontes citadas pelo BuzzFeed, a viagem de Cohen a São Petersburgo nunca aconteceu, nem os planos para construir uma Trump Tower em Moscou. As negociações, porém, ocupam um lugar de destaque nas investigações de Mueller, que tenta descobrir se há ligação com a interferência russa na campanha eleitoral e com quem os associados de Trump estavam em contato para fechar o negócio. 
Cohen vai depor em um comitê da Câmara dos Deputados em 7 de fevereiro.
Nesta quinta (17), o jornal The Wall Street Journal noticiou que o ex-advogado de Trump teria pagado ao responsável por uma empresa pequena de tecnologia milhares de dólares em 2015 para manipular enquetes online com a intenção de favorecer o republicano antes da campanha presidencial.
Cohen se declarou culpado de violações a leis de financiamento de campanhas eleitorais, evasão fiscal, de mentir ao Congresso e de outras acusações. No mês passado, ele foi sentenciado a cumprir três anos na prisão.

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