Cotidiano

No mês da Conservação do Solo, Cascavel e Toledo realizam pesquisas, acordos e investimentos para melhorar a qualidade das estradas rurais da região

Crea-PR

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura -  FAO, a demanda mundial por alimentos aumenta a cada ano e os estoques começam a se esgotar em várias regiões do planeta. E para que haja uma boa produção é necessário o uso sustentável do solo. Atualmente a preocupação mundial envolve o desgaste das áreas produtivas, por isso o Brasil instituiu a Lei n° 7.876 em 13 de novembro de 1989, definindo 15 de abril como o Dia Nacional da Conservação do Solo. A meta é levar a população a essa reflexão, rever conceitos e avaliar as práticas sobre a conservação dos solos além e a necessidade da utilização correta desse patrimônio natural da humanidade.

No Paraná, em meados de 1980, o Governo do Estado iniciou o Programa de Microbacias e lançou o Sistema de Plantio Direto que atua de forma diferenciada no manejo do solo visando diminuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas como tratores e arados sobre a terra. Esse sistema avançou e hoje a maioria dos produtores de grãos do Estado e também do País, utilizam este processo em suas lavouras para minimizar os impactos negativos na agricultura.

Porém ao longo dos últimos anos, alguns fatores passaram a impactar negativamente a agropecuária paranaense. Em função do produtor não dar continuidade às ações de conservação do solo houve perdas gradativas nas culturas. A discussão de que o sistema de plantio direto seria capaz de dar uma solução definitiva para o problema também colocou em segundo plano as ações de manejo do solo.

A evolução tecnológica no agronegócio, que permite maior rendimento e menor custo nos processos de plantio e colheita, também contribui, em alguns aspectos, de forma negativa para a conservação do solo. Isso acontece porque a utilização de máquinas de maior porte tem seu rendimento comprometido pela utilização dos terraços (murunduns), que acabam sendo retirados e, em consequência, promovem a erosão do solo.

 

Programa Prosolo: parcerias em prol da conservação do solo e preservação ambiental

Para reverter essa situação, em agosto de 2016 o Governo do Estado criou o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná. Trata-se de um conjunto de ações estruturais realizadas em parceria com organizações públicas e privadas em projetos integrados, com o objetivo de financiar pesquisas e a capacitação dos produtores rurais e técnicos para a retomada do processo de conservação do solo e água. O Prosolo também busca incrementar a produtividade agrícola e a preservação ambiental. O programa define critérios técnicos de sistemas conservacionistas para redução de perdas de solo e água em solos, manejos, climas e cultivos regionais do Paraná.

As ações do Prosolo são desenvolvidas em parceria com Crea-PR, Emater, Codapar, Adapar, Iapar, Ocepar, Apepa, Sanepar, Copel, Itaipu, Fundação Araucária, Sistema Faep, Fetaep, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação e Universidades Públicas do Estado.

 

Toledo é referência em pesquisa sobre solo na região Oeste

Para compreender como a ação da chuva interfere no solo da Microbacia da Região Oeste, o pesquisador do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) Luiz Antônio Gamão Júnior realiza, há cerca de dois anos, uma pesquisa com o solo da cidade de Toledo, que representa as características da região. Ainda em fase inicial, o trabalho é feito com a separação do solo e sua análise após cada chuva. A coleta de dados também verifica a situação dos terraços, que são barreiras naturais feitas no solo para impedir o livre fluxo da enxurrada. O programa Prosolo em Toledo também estuda o espaçamento ideal entre os terraços, as perdas de nutrientes no solo e a rotação de culturas.

O resultado dessa pesquisa vai contribuir para orientar os agricultores no futuro quanto às melhores técnicas de manejo de solo a serem utilizadas na região Oeste, visto que hoje as técnicas utilizadas são aquelas desenvolvidas nos Estados Unidos, país que possui características bem diferentes das do solo brasileiro.


 

Parceria e investimento são estratégias para melhorar estradas rurais de Cascavel

A falta de conservação do solo é uma das causas de um problema que afeta grande parte da agricultura brasileira: o escoamento da produção agropecuária.  Um volume significativo da extensão da rede viária do País é composta por estradas rurais não pavimentadas que acabam se tornando o principal meio de escoamento da produção. E apesar de sua extensão e da grande importância econômica e social, essas vias são, em sua grande maioria, mal conservadas e acabam gerando prejuízos econômicos além de promover transtornos aos agricultores e comunidades que vivem no seu entorno.

De acordo com o Engenheiro Agrônomo e vice-presidente da Areac, a Associação Regional dos Engenheiros Agronômos de Cascavel, Fernando Luiz Rocha Pereira, a solução para estradas rurais mal conservadas é a readequação das vias.  “Cascavel possui mais de três mil quilômetros de estradas rurais, a maioria delas sem cascalho ou pavimento. Em dias de chuva, por estar em um nível abaixo das lavouras, a força dessa água percorre as estradas prejudicando ainda mais sua estrutura já precária, por isso é necessária a instalação de pontos de recolhimento dessa água da chuva para evitar a erosão do solo”, explica.

O vice-presidente da Areac recorda ainda que uma parceria foi firmada este ano entre a Associação e a prefeitura de Cascavel no sentido de promover um trabalho integrado com os agricultores. “O técnico da prefeitura indica ao agricultor a necessidade da conservação de solo e os profissionais da Areac credenciados a executar o trabalho. Caso o produtor não realize a conservação do solo, a Adapar então fará a notificação”, conclui.

Fernando Luiz Rocha Pereira afirma ainda que o acordo prevê que os agricultores que não se comprometerem a realizar o manejo do solo serão, num segundo momento, autuados. O Crea-PR, Regional Cascavel, lembra que as atividades de conservação do solo e readequação de estradas devem ser planejadas e acompanhadas por um Engenheiro Agrônomo.

A Secretaria de Agricultura de Cascavel também está envolvida para a melhoria das estradas rurais que cortam os sete distritos do município. Para a readequação de 160 quilômetros de estradas rurais foram disponibilizados em 2019 recursos na ordem de 30 milhões de reais em investimentos.

 

Areac promove evento para debater manejo do solo

Para discutir a situação das estradas rurais a Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel, Areac, promove nos dias 25 e 26 de abril um evento que vai debater estratégias para aumentar a fertilidade e a conservação do solo, além de apresentar diversas técnicas de manejo, especialmente o plantio direto na palha. O encontro será realizado na Rua Paranavaí 1370, no bairro Pacaembu, em Cascavel.

O evento é voltado para Engenheiros Agrônomos, estudantes, agricultores e demais interessados e conta com o apoio do Crea-PR, Confea, Areac, Fundação Agrisus, Mutua, Centro Universitário FAG e Itaipu Binacional.

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