O que faz economista ser economista?

            Na grande parte dos meios de comunicação, economistas são chamados para falar sobre os mais diversos assuntos, principalmente em tempos de crise: Quais devem ser as medidas do governo? O que esperar para a inflação? Como está o mercado financeiro? Em que investir? Como faço para economizar? Seria a capacidade de responder a essas perguntas que define o profissional economista? Essa é a reflexão proposta para essa semana, considerando a passagem do Dia do Economista, no dia 13 de agosto.

            A palavra economia vem do grego e remente à ideia de “administração da casa”. Os filósofos gregos foram os primeiros a escrever sobre o assunto e foram quem cunharam o termo. Porém, cabe ressaltar que, na época, era uma visão voltada para a esfera moral e da vida privada das pessoas. Por muito tempo, as ideias econômicas estivaram vinculadas à política, à filosofia, ou ainda, à religião. Seu surgimento enquanto ciência é marcado pela obra “A riqueza das nações”, de Adam Smith.

            Podemos nos referir às Ciências Econômicas como ciência da escolha, ou ciência da produção, alocação e distribuição, ou ainda, a ciência que visa alocar eficientemente os recursos escassos diante das necessidades que são ilimitadas. Pelo seu escopo, é capaz de auxiliar a entender diversos fenômenos presentes na vida das pessoas, sejam eles notados fatos históricos, sejam eles aqueles relativos às compras cotidianas ou escolhas entre “isso” e “aquilo”.

            Nesse sentido, o economista contribui para a tomada de decisões mais acertadas e para o entendimento crítico da realidade, possibilitando maior bem-estar para as nações. Para tanto, a formação desse profissional baseia-se em três pilares: a História, a Matemática e a Teoria. A Teoria, por sua vez, divide-se em macroeconomia, que analisa os grandes agregados e questões como inflação, políticas econômicas e comércio internacional; e microeconomia, voltada para compreensão do comportamento dos consumidores e das empresas enquanto agentes que tomam decisões individualmente.

            Por incrível que pareça, na graduação em Economia, nenhum professor vai entregar um cofrinho; muito menos, o coordenador do curso vai acompanhar os alunos nas suas compras para ver se não estão gastando à toa: isso mesmo, o curso de Economia não ensina a economizar! Porém, a partir dos estudos sobre assuntos como a teoria do consumidor, os fundamentos da economia comportamental, além de todo o entendimento sobre escolhas, cada um pode desenvolver uma visão mais apurada sobre a gestão da renda, planejamento financeiro e como fazer para gerar poupança, seja para casos de emergência, seja para realizar aquele sonho tão esperado.

            Além disso, não necessariamente um economista tem que trabalhar com Bolsa de Valores. Cabe ressaltar que a grade curricular possibilita, porém, que o acadêmico aprofunde seus estudos no tema, tendo em vista que o estudante já terá compreendido os fundamentos históricos da dinâmica econômica; terá estudado o funcionamento das empresas e como suas decisões são tomadas; conhecerá os métodos de análise matemática e como modelar situações da realidade e; dominará as ferramentas de análise da economia como um todo, sabendo o funcionamento e a inter-relação entre as variáveis que afetam a Bolsa de Valores.

            Diante de tudo isso, um economista que descreveu muito bem as características desses profissionais foi Keynes, que se tornou muito reconhecido a partir das suas interpretações da Grande Depressão de 1929. Ele diz que:

“O economista–mestre tem de possuir uma rara combinação de dons. Ele tem de ser matemático, historiador, estadista, filósofo — em algum grau. Ele tem de compreender símbolos e falar em palavras. Tem de contemplar o particular em termos do geral, e tocar abstracto e concreto no mesmo voo do pensamento. Tem de estudar o presente à luz do passado com o objectivo do futuro. Nenhuma parte da natureza humana ou das suas instituições deve cair completamente fora do seu olhar. Tem de ser voluntarioso e desinteressado numa disposição simultânea; tão indiferente e incorruptível quanto um artista, mas por vezes tão terra a terra quanto um político."      

            Com esse trecho de Keynes, encerra-se essa reflexão e deseja-se parabéns a todos esses importantes profissionais que auxiliam no bem-estar da população.

Feliz mês de Economistas!

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