Policial

PM é assassinado no RJ, e mãe morre ao saber

Ilustrativa Pixabay

Uma dupla tragédia ocorreu na madrugada desta quinta-feira (7) com a família de um policial militar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio.
O sargento da PM Rio Douglas Fontes Caluete, 35, foi assassinado durante uma tentativa de assalto e, horas mais tarde, a mãe dele passou mal e morreu após identificar o corpo do filho. Maria José Fontes, 56, chegou a ser encaminhada a uma UPA, mas, logo ao chegar lá, sofreu um infarto e não resistiu. Caluete e sua mãe serão sepultados nesta sexta-feira (8).
O sargento tinha 12 anos na polícia e foi morto em um dia de folga. Ele levava a namorada para casa de carro quando cinco homens cercaram o veículo e ordenaram que os ocupantes desembarcassem. Pelo menos dois homens carregavam fuzis. Quando perceberam que era um policial, o PM foi obrigado a se deitar e foi morto a tiros em seguida. A namorada conseguiu fugir.
Na tarde desta quinta-feira, em frente ao imóvel da família, em Duque de Caxias, o único irmão de Caluete, o encarregado de produção Rômulo Fontes Caluete, 33, contou que estava no trabalho quando recebeu uma ligação de seu pai. Ele avisou que seu irmão havia sido baleado e sua mãe estava passando mal.
Segundo Rômulo, seu irmão era conhecido na região e também muito querido. Pai de um casal de filhos, de cinco e oito anos, Caluete é descrito como amoroso, tranquilo e muito apegado à família. "São dois vazios agora no meu peito", disse ele. "Meu irmão era muito querido e amava o que fazia".
O irmão responsabiliza os políticos pela violência no estado do Rio. Ele diz que não há interesse dos governantes em proteger seus policiais e combater de forma efetiva a criminalidade. "Se os políticos não pensassem só no seu próprio umbigo, talvez meu irmão e outros tantos pudessem estar vivos hoje."
Abalado, Rômulo ainda afirmou não havia encontrado forma de contar para seus próprios filhos sobre a morte do tio. "Eu nem fui para casa ainda. Nem sei o que dizer para os meus filhos, que eram muito apegados ao Douglas [Caluete]", disse.
Horas após a morte de Caluete, um segundo PM foi morto em Duque de Caxias. Lotado no Batalhão da Maré, zona norte da capital fluminense, o sargento Robson Airon Coelho, 49, foi morto enquanto estava de folga em um bar do bairro Chácara.
Homens armados teriam passado de carro atirando. O PM chegou a ser levado para o hospital pela sua esposa, mas não resistiu. Coelho estava havia 20 anos na PM, e deixa esposa e cinco filhos.
Com esses dois casos, subiu para 55 o número de policiais militares assassinados neste ano no estado, contra 134 em todo o ano passado.
O estado do Rio está sob intervenção federal na segurança pública desde 16 de fevereiro. A medida, inédita, foi anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB) e colocou um general do Exército como chefe das forças de segurança do estado.
O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o Estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado.
Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para as viaturas. Faltam equipamentos como coletes e munição.
Apesar de contar com o apoio da população, a intervenção ainda não obteve resultados significativos na melhora dos indicadores de violência urbana no estado. O assassinato da vereadora Marielle Franco, em março, ainda não foi esclarecido pelos interventores.

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