Policial

Policial que dirigia Camaro em suposto racha já foi preso em caso de extorsão

Foto: Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Folhapress

Dois veículos se envolveram em um acidente na rodovia dos Imigrantes, onde duas pessoas morreram e sete ficarão feridas. Os carros foram apreendidos e levados ao pátio de veículos, em SBC.

O policial suspeito de participação em acidente que deixou dois motos e seis feridos na rodovia dos Imigrantes, o investigador Ariovaldo Soares Grubl já foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil, em 2001, sob suspeita de extorsão. Na última terça-feira (9), ele dirigia seu veículo Chevrolet Camaro e, segundo testemunhas, estaria disputando um racha com a Mercedes que bateu na traseira de um Ford EcoSport. O carro está registrado no nome de um filho do policial.
Grubl, que negou à polícia que participasse de um racha na rodovia, foi preso em flagrante em 2001 quando recebia dinheiro de familiares de criminosos presos com veículos e mercadorias roubadas na região na zona oeste da capital. Na época, Grubl e outros dois colegas exigiram R$ 100 mil para alterar a acusação de roubo para recepção da carga -que livraria os criminosos da prisão. A reportagem ainda não localizou o advogado dele.
Nesta quinta-feira (11), por envolver um policial, a cúpula da Polícia Civil transferiu as investigações do acidente de São Bernardo, onde houve a colisão, para a Corregedoria, na capital. A polícia também quer saber se o veículo pertence ao policial (embora registrado no nome do filho) e como ele conseguiu recursos para isso -um Camaro zero tem preço médio de R$ 266 mil.
Procurada, a Secretaria da Segurança não informou ainda o que ocorrerá com o policial. Se ele será afastado das funções e porque ainda continua na instituição mesmo após o flagrante de extorsão.
TESTEMUNHAS
Testemunhas do acidente afirmam que o Camaro preto do policial disputava uma corrida com uma Mercedes Benz CLS prata, que bateu na traseira de um Ford EcoSport, que não participava da disputa, com oito pessoas -dois casais de adultos e quatro crianças pequenas, filhos dos casais.
As duas mães morreram e os demais ficaram feridos. O motorista do EcoSport corre o risco de ficar paraplégico. O Camaro não foi atingido no acidente.
Já a Mercedes era conduzida pelo administrador de empresas André Veloso Micheletti, 50, que estava acompanhado da mulher e de um funcionário. Após exame de bafômetro, ficou constatado que o administrador não havia ingerido bebida alcoólica. Na delegacia, ele afirmou que trafegava em velocidade permitida, quando o motorista da Ecosport, "repentinamente e sem sinalizar", entrou na faixa em que ele dirigia. A velocidade citada por testemunhas é de cerca de 200 km/h.
Tanto o motorista da Mercedes quanto o do EcoSport estão com as carteiras de habilitação cassadas por excesso de multas desde 2016. As crianças estavam no banco traseiro com as mães, sem cadeirinha e também sem o cinto de segurança.
Após passar a noite do acidente no distrito policial de São Bernardo do Campo, o motorista da Mercedes teve a sua prisão preventiva decretada pela Justiça na manhã de quarta-feira (10). Ele foi indiciado por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), tentativa de homicídio e também por dirigir sem CNH.
"Ele passou pela faixa da direita como um foguete". É assim que o técnico em telecomunicações Thiago Ronaldo de Aguillar, 28, lembra do Mercedes CLS que passou pelo seu carro na terça (9) à noite na rodovia dos Imigrantes. "Ainda falei para o meu amigo 'ele ainda vai matar alguém'", afirma.
"Em seguida, já vi a fumaça. O Mercedes bateu duas vezes no EcoSport, que foi parar a uns 200 metros do lugar da primeira batida." De acordo com Aguillar, uma passageira do Mercedes teria dito ao marido que conduzia o veículo: "Viu o que você fez?". O acusado então teria dito "eu já estraguei a minha vida, você agora tem que ficar do meu lado", aos gritos.
O acidente aconteceu perto das 21h. O motorista do EcoSport disse em depoimento à polícia que estava a 110 km/h (o limite no local é 120 km/h), quando viu o clarão do farol e sentiu o impacto. Após a batida, o EcoSport rodopiou na pista e parou no canteiro central da estrada. Segundo a perícia, o Mercedes estava em velocidade muito superior ao carro dirigido por Gonçalves. Uma nova perícia, no entanto, ainda será feita para constatar a velocidade exata dos veículos.
No EcoSport estavam duas famílias que voltavam de uma viagem a Praia Grande (a 71 km de São Paulo) e seguiam para Suzano (Grande SP), onde moravam.
No veículo, além de Gonçalves, estavam a mulher dele, Juliana do Carmo Gamarra, 40, os três filhos do casal, de 1, 2 e 3 anos, e o casal de amigos Wesley Junior Gomes Bispo, 23, e Vitória Alves Furlanetto Gomes, 21, e o filho deles, de 1 ano. Juliana morreu no local; Vitória foi socorrida, mas não resistiu.

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