Opinião

Rotina é aliada do bebê na hora do sono

Compreender as necessidades do recém nascido auxilia na organização dos momentos de de descanso

Divulgação

As noites de descanso mais curtas dos pais acontecem porque nos primeiros meses de vida

O primeiro ano de vida do bebê é um período conturbado em relação ao sono e de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Warwick, do Reino Unido (2019) comprova que durante os primeiros três meses de vida do bebê as mães tem até uma hora de sono a menos em relação ao período da gravidez. Já os pais, perdem em média, 13 minutos de sono.

As noites de descanso mais curtas dos pais acontecem porque nos primeiros meses de vida, a criança tem a tendência de dormir e acordar várias vezes durante a noite para se alimentar. Nesta fase o sono do bebê é classificado como ultradiano, ou seja, a rotina de sono é dividida em ciclos menores do que os dos adultos com duração máxima menor que 20 horas.

Por isso, muitas mamães e papais recorrem a recursos como o treinamento de sono que são prejudiciais a saúde do recém nascido. Crianças que são submetidas a esta técnica pode desenvolver transtornos comportamentais como: fobia, transtornos de ansiedade e desamparo aprendido, onde há uma quebra do vínculo materno.

É importante ressaltar que os despertares noturnos são comuns até o primeiro ano de vida. A família deve se preparar para este momento antes mesmo do nascimento do bebê. Durante a gestação os pais devem procurar compreender o processo de sono de um neném e suas necessidades. "Quando o processo de sono do bebê é compreendido, as expectativas que você cria serão mais reais e assim, você não irá cobrar do bebê um comportamento para qual ele não está pronto", aconselha Flavia Schaidhauer, pediatra. O sono não é uma habilidade a ser aprendida, ele é mais um marco de desenvolvimento. Nos primeiros três meses após o nascimento, o bebê está no período da exterogestação, necessitando estar em contato com sua mãe maior parte do tempo. Por isso, estipular uma rotina rígida não terá nenhum benefício nessa idade, causando apenas frustração e estresse.

Os bebês em aleitamento materno ou mesmo aqueles que fazem uso fórmula artificial podem ou não dormir 10-12h a noite. Eles terão em torno de 1 a 3 despertares noturnos para mamar. Lembrando que se o bebê não solicitar mamada, não precisa acordá-lo.

A partir do quarto mês, é o momento para iniciar o processo de construção dos rituais de sono. Neste período há uma evolução na maturação cerebral do bebê,o que permite períodos de sono mais longo durante a noite e sonecas durante o dia. Com o sono mais consolidado, a criança está apta a aprender horários certos para dormir. E para os pais é o momento de começar a colocar as horas de sono perdidas durante os meses anteriores em dia.

"Seu bebê é seu maior tesouro. Busque ajuda para entender o sono do seu bebê. Procure entender a fisiologia do sono do bebê, converse com seu pediatra." finaliza a pediatra.

 

               

Flavia Schaidhauer

@pediatraforadacaixa

Pediatra formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Residência Médica no Hospital Universitário de Santa Maria - Rio Grande do Sul, Pós-Graduação em Emergência Pediátrica pelo Hospital Israelita Albert Einstein - HIAE e Mestrado em Pediatria pela Pontifícia Universidade Católica - Rio Grande do Sul. Durantes anos atuou em diversas regiões do país, passando por exemplo pela zona rural do Rio Grande do Sul, Sertão Nordestino na Bahia e Floresta Amazônica no Pará para conhecer a realidade no atendimento médico do país. Nos últimos cinco anos tem dedicado seus atendimentos para bebês menores de um ano, amamentação e vínculo parental. É Co-fundadora do Meu Dr. Kids( @meudrkids) plataforma de atendimento pediátrico domiciliar.

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