Educação

Unioeste coordena projeto sobre evasão das Universidades do Paraná

Central de Notícias Unioeste

Na última quarta-feira, em Curitiba foi apresentada à Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) a proposta de projeto interinstitucional sobre a evasão de estudantes nos cursos de graduação das universidades estaduais do Paraná.

Numa iniciativa do Fórum dos Pró-reitores de Graduação o PROGRADES e com a participação dos representantes da Unioeste, Unicentro, UEL, UEM, UEPG, UENP e UNESPAR, a proposta foi considerada de extrema relevância pelo superintendente, professor Aldo Bona e deverá ser encaminhada dentro dos moldes de projetos financiados pela UGF.

Estima-se um investimento de R$ 456.000,00, para a primeira fase do projeto, com previsão de início no ano letivo de 2020 e uma equipe multidisciplinar e interinstitucional, sob a coordenação geral da Unioeste. Com essa proposta de pesquisa interinstitucional, o intuito é compreender a evasão e os fatores que causam esse fenômeno, reconhecidamente mundial, com o objetivo de subsidiar ações de monitoramento de possíveis casos de evasão e fundamentar a implantação de políticas públicas de apoio e permanência desses estudantes de forma mais efetiva, nas sete Universidades estaduais do Paraná.

Essa proposta partiu do grupo de pesquisa sobre evasão da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) que conduziu em 2018, um estudo analisando as informações de mais de 20 mil alunos ao longo de 10 anos. Após os primeiros resultados, os dados levantados foram apresentados ao PROGRADES, em abril desse ano. Em maio também foram apresentados ao professor Aldo de Bona, Superintendente da SETI, o qual demonstrou interesse e solicitou que fosse realizada uma proposta de Projeto de Pesquisa, nos moldes da que foi realizada pela Unioeste e que abrangesse todas as estaduais.

A evasão no ensino superior pode ser compreendida como a interrupção ou a suspensão do processo formativo da graduação antes de sua conclusão, é um problema grave que afeta os envolvidos direta e indiretamente. Pode ser influenciada por fatores individuais e possui consequências sociais e econômicas, visto que interrompe a qualificação de mão de obra.

Preocupada em subsidiar esta discussão com informações que ajudem a compreender melhor este fenômeno e as suas consequências. O professor Paulo Azevedo, pesquisador da área aponta que a evasão escolar é um processo inerente a universidade.

“Assim, como ocorre com o fenômeno acidentes de trânsito, as políticas visam mitigá-la, uma vez que não se vislumbra a eliminação do fenômeno. Isto por que o objeto que estamos tratando refere-se a estudantes, em geral na faixa entre 17 e 25 anos, que estão tomando decisões referentes a uma carreira que afetará toda a sua vida. Estes jovens estão sujeitos a muitos percalços, como indecisões pessoais, dificuldades de deslocamento, dificuldades financeiras, pedagógicas, etc...”, explica.

A evasão no ensino superior é um fenômeno global e de acordo com o estudo, a Unioeste está dentro dos padrões esperados em comparação com outras universidades do Brasil e do mundo. Segundo o professor não é fácil determinar as causas exatas da evasão, visto que existem muitos fatores que podem influenciar. O estudo aponta os casos em que existem mais índices de evasão, sendo esses os alunos que: cursam licenciaturas, são das primeiras séries, são egressos de escolas públicas, estudam no período noturno, fizeram ensino médio no período noturno, possuem menor renda, trabalham e não fizeram curso pré-vestibular.

Na pesquisa em questão foi considerado evadido o aluno que abandonou, cancelou ou que foi cancelado por abandono. Os alunos da Unioeste em sua maioria trabalham (45%), fizeram o ensino médio em escolas públicas (69%), possuem menor renda (69% com rendimento familiar até 4 salários mínimos) e não fizeram curso pré-vestibular (63%). Destes alunos, 68% não estudam em tempo integral, onde o índice de evasão é menor (34%), pois são os cursos com maior índice de concorrência.

Portanto, os alunos de menor renda, trabalham e estudam em período parcial, com acesso restrito aos cursos de maior concorrência. Cursos considerados de alta concorrência como Medicina possuem uma taxa baixíssima de evasão. Já cursos de menor concorrência e com grande retenção, como Matemática, por exemplo, a incidência de evasão é muito maior. Segundo a pesquisa, isso se explica porque cursos de maior concorrência possuem menor evasão. “No entanto não dá para constituir uma sociedade socialmente estruturada sem o curso de Matemática e por isso precisamos compreender e administrar esses dados de evasão. Isso se repete com outros cursos correlatos”, explica. Por fim, o processo de evasão está presente em todas as universidades e nem todas as causas estão ao alcance da própria. Tal situação exige a análise e o monitoramento constante.

A Unioeste cumpre sua função, sendo precursora, ao realizar essa avaliação porque apenas identificando as causas do problema é possível desenvolver uma solução.

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