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Usinas priorizam etanol e despenca produção de açúcar no país

Ilustrativo Pixabay

A produção de açúcar caiu 23,69% na segunda quinzena de junho nas usinas instaladas no centro-sul do país. É o que mostra relatório da safra 2018/19 produzido pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e divulgado nesta quarta-feira (11).
Das 45,31 milhões de toneladas de cana processadas pelas usinas, apenas 37,67% foram destinadas à produção de açúcar. No mesmo período da safra passada, 50,52% da cana tinha como destino a fabricação do açúcar.
Isso ocorreu porque as usinas priorizaram a produção de etanol, que teve alta de 30,44% e alcançou 2,35 bilhões de litros, ante 1,80 bilhão na segunda quinzena de junho na safra 2017/18.
O etanol hidratado -usado diretamente no abastecimento de veículos nos postos- teve crescimento ainda mais acentuado, de 60,18% em comparação à safra passada. Foram produzidos 1,55 bilhão de litros.
"Os dados levantados reforçam a tendência observada nas quinzenas anteriores e indicam a preferência das empresas pela fabricação de etanol", disse o diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
O crescimento na produção de etanol é visível desde o início da atual safra, em abril. Até 30 de junho, foram produzidos 7,77 bilhões de litros de álcool hidratado, o que significa um aumento de 76,36% na produção.
Já o etanol anidro -misturado à gasolina- cresceu 2,06% e atingiu 3,29 bilhões de litros produzidos. A fabricação de açúcar, por sua vez, caiu 12,10%, com 9,75 milhões de toneladas.
A safra da região centro-sul chegou a 222,57 milhões de toneladas moídas nas usinas até junho, 11,60% de crescimento com a safra anterior. A maioria das usinas deve terminar a moagem até dezembro –o ano-safra no setor vai de abril de um ano a março do ano seguinte.
NOS POSTOS
A alta produção de etanol se deve aos preços mais favoráveis para as usinas em comparação com a remuneração obtida com o açúcar.
Foram vendidos pelas usinas na segunda quinzena de junho 2,52 bilhões de litros de etanol no mercado nacional. A comercialização do hidratado cresceu 47,80% em relação a 2017.
Para o consumidor, compensa abastecer com etanol quando o preço é inferior a 70% ao da gasolina. Desde maio, o combustível derivado da cana está em patamar inferior a isso.
De acordo com a Unica, o crescimento na produção de etanol hidratado não oferece riscos em relação ao armazenamento, pois as usinas têm capacidade de manter 16 bilhões de litros e os dados indicam que menos de 35% dessa produção está estocada atualmente.

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