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Boa leitura!

Crônica: O comedor de pimentas

*Por Rodrigo Alves de Carvalho

Talvez você não conheça o Genivaldo, mas ele foi uma pessoa bastante famosa. Foi sem dúvidas uma celebridade no sofisticado e quente mundo das pimentas.

Desde muito jovem, Genivaldo lá na roça se acostumou a comer pimentas. “Tinha um pé de Comari ao lado de minha casinha e desde pequenino eu ficava comendo sem fazer careta”, contou Genivaldo.

Após seu padrasto observar que o menino comia pimenta sem sair desesperado querendo tomar água, resolveu leva-lo no Boteco do Durvalino para que comesse as famosas pimentas ao óleo. “Comi todas as pimentas do seu Durvalino e o pessoal ficou espantado porque eu falava que não tava ardendo nada”, comentou.

Patrocinado por um taxista da cidade, Genivaldo participou de sua primeira competição de comer pimenta na capital mineira e o rapaz não decepcionou, vencendo o torneio e se tornando campeão estadual. “Comi pimenta Malagueta, Dedo de Moça, Tabasco e nem saiu uma gotinha de lágrima dos meus olhos, enquanto que teve gente que acabou sendo internada de tanto que sofria com as ardências”, falou Genivaldo.

O próximo passo para o apreciador de pimentas era o Campeonato Nacional que aconteceria no Rio de Janeiro. “Nunca vi tanta água num lugar só e nem tanta moça bonita”, suspirou o tímido a acanhado rapaz.

Sua estadia na cidade maravilhosa não foi somente para ver o mar e garotas, Genivaldo fez bonito no campeonato e se tornou campeão brasileiro em comer pimentas.

Já com certa fama, Genivaldo queria galgar ainda mais longe e sua meta era a Inglaterra no famosíssimo Campeonato Mundial dos Comedores de Pimentas. “Quando cheguei na Inglaterra passei tanto frio porque não levei blusa”, confidenciou Genivaldo.

O Campeonato Mundial contava com competidores do mundo todo, mexicanos, indianos, americanos e muitas outras nacionalidades, entre eles o bravo e compenetrado Genivaldo. Foi uma disputa acirrada com os competidores comendo as pimentas mais ardidas dos quatro continentes. Na final teriam que comer a pimenta das pimentas, onde apenas em olha-la já escorriam lágrimas, a temível pimenta Carolina Reaper. E para surpresa de todos, Genivaldo comeu a pimenta mais ardida do mundo como quem come um doce.

Campeão do mundo e famoso, Genivaldo poderia mais e com certeza chegaria mais longe, porém, numa fatalidade do destino, sua carreira teve que ser interrompida drasticamente e ele nunca mais competiu novamente. “Tive que parar de comer pimenta porque fiquei com hemorroidas”, finalizou o triste Genivaldo.

*Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.

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