PACIÊNCIA?

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Como a gente faz? Atualmente muitas pessoas me perguntam: o que fazer para termos paciência, de onde tiramos a paciência, dá pra ir buscar, comprar em algum lugar, o que fazer?

Como é que faz pra ter a “tal” paciência, geralmente as pessoas falam: “eu já sei de tudo, eu sei como é que faz, eu já entendi, eu já li, já reli, já procurei, já procurei de novo, já compreendi mais uma vez”, mas na hora de agir, falta quem? Falta a tal paciência.

Referimo-nos a paciência como se fosse “um negócio que a gente” vai até uma loja e compra, pronto comprou, estou cheio de paciência, estou com uma “sacola” cheia de paciência, vou lá e pego um pouquinho de paciência, e está tudo certo, pois penso que estou cheio de paciência para poder lidar com a situação. Infelizmente, não é assim que acontece, e ainda bem que não é assim que funciona.

Segundo a nossa ordem, que tipo de mãe que eu deveria ser, que tipo de pai eu deveria ser, que professora que eu deveria ser, que psicóloga que eu deveria ser? Tema que escuto todos os dias dos meus pacientes, amigos e familiares. A gente exige aquele conjunto de respostas, a perfeição de resultados, queremos atenção máxima, queremos resposta efetivas, ou seja, exigimos e cobramos de nós mesmos.

Porém, na hora que entramos em contato com “esse ser humano”, que sente tristeza, raiva, irritação, medo, cansaço, insônia, falta de sono, que, aliás, é uma forte fonte da falta de paciência, exaustão, fome, dor no corpo entre outros. Esse mesmo ser humano dificilmente dará conta de fazer o que a princípio essa mente fantástica, extraordinária que vive dentro de nossa cabeça colocou como meta.

Na minha meta, vou responder calmamente sempre, eu vou ser ótima, eu vou responder muito bem para os meus filhos, pro meu marido, aliás, para todos que convivem comigo, porque afinal de contas eu tenho essa meta fantástica, colocada para realizar. Então, a gente se dá conta que não é sobre só o querer, não é sobre o querer ter paciência, é sobre eu ter consciência de como eu estou, quem eu sou naquele momento, e sobre muitas vezes ser real.

E a pergunta vem novamente, eu estou sempre certinha? Eu faço sempre de acordo com o que é proposto? Ou na hora de agir eu me manifesto erroneamente, e posterior me arrependo.

Se na verdade eu estou num processo onde eu deveria estar, contudo não me encontrei, faltam hábitos para originar consciência de que eu estou no que deveria ser, necessito descobrir como eu me sinto comigo, sem a obrigatoriedade de justificar-me. Deveria ser muito tranquila, ser uma pessoa muito calma, que possui um diálogo sereno, um exemplo de pessoa, portanto, eu me sinto desta forma, eu me sinto pronta tranquila para sentar agora e brincar, não, mas eu deveria ser essa mãe que senta e brinca.

Mas, como é que eu vou fazer pra sentar e brincar, se eu não me sinto em condições pra fazer isso? Então quando eu não tenho condições de fazer isso e me forço a fazer porque eu deveria ser, estou exatamente nesse mundo hipotético, da ordem do que eu deveria ser, estou forçando o meu sistema para entregar uma ilusão, e na hora em que estou forçando esse sistema, o que acontece, é que em algum momento eu vou estourar em cima de alguém. E normalmente é em cima de alguém que nem sabe que você está forçando o seu sistema, porque esse alguém não te pediu pra você fazer isso, ou até te pediu, mas ele te pediu imaginando que você é alguém que sabe sobre si, e que sabe dizer sim ou não, mas ele não imagina que você é essa pessoa que tem esse nível de alta exigência e que se coloca nesse tipo de armadilha.

Entretanto, quando falta paciência, na verdade faltou contato com você mesmo, quando falta paciência na verdade, faltou exatamente você olhar para você, perceber como você está, perceber, não eu não tenho condições de fazer isso agora, tenho condições de fazer isso agora, e na verdade localizar em si mesma, localizar você para os outros. Que pode ser inclusive dizendo, que é contar do seu estado interno, neste momento eu tenho que levar vocês a fazer tal coisa ou tenho que fazer o almoço para vocês, porque tem coisas que não temos saída, temos que fazer, mas eu preciso da colaboração de vocês, eu preciso do silencio de vocês, porque estou completamente exausta, sem condição de fazer isso agora, então preciso da colaboração de vocês.

E no momento em que isso acontece às crianças nos enxergam, porque talvez pela primeira vez, nós nos damos à chance de nos enxergarmos. E, assim sendo, a paciência ela não é algo que eu fico esperando, eu preciso  ter, porque eu tenho que ter para atingir meus objetivos.

A paciência é na verdade, algo que vou vivendo e vai me dando oportunidade de me reconhecer e de reconhecer o outro, que nessa experiência o outro também tenha a possibilidade de perceber como é que ele está, nesta troca, começamos a se encontrar de outro lugar, não mais do lugar que eu devo fazer pra você, para o seu bem estar, ou você deve fazer para o meu bem estar, mas onde nos encontramos na condição que devemos se encontrar.

Desta forma, todos podem surpreender, porque na verdade, quando a gente está falando de humanidade, nos referimos às exigências do mundo, sobrecarregados, avaliados, e cobrados, logo, nos sentimos aliviados quando podemos ser real, e quando podemos colocar para o outro as nossas limitações.

Os “homens de ferro e as mulheres de ferro” podem apenas se tornarem só homens e mulheres, iniciantes todos os dias, assim não precisamos mais comprar paciência, exigir ter paciência, correr atrás de paciência, ficar frustrado que não tem paciência, porque na verdade nós temos nós mesmos.

Note-se, acolha-se e acolha aos outros.

Eliane Bruger Racoski

(45)99966-3648

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