Economia

Bolsa reage mal a discurso de Bolsonaro em Davos

Apesar da aceleração da queda da Bolsa após o discurso de Jair Bolsonaro (PSL) em Davos, analistas do mercado financeiro minimizam a primeira impressão ruim do novo presidente brasileiro em apresentação ao mercado financeiro.
O Ibovespa, principal índice acionário do país, já tinha um dia fraco, mas acelerou as perdas após a fala de menos de 10 minutos de Bolsonaro. Às 16h05, o índice caía 0,95, a 95.097 pontos. O dólar recuava e passou a subir, agora caminhando para perto dos R$ 3,80. às 16h05, a moeda americana ganhava 0,82%, a R$ 3,7910.
Marcelo Giufrida, sócio da Garde Investimentos, diz que o novo governo traçou uma estratégia de não detalhar muito do que virá da reforma da Previdência enquanto o novo congresso não tomar posse.
Por isso, investidores não deveriam esperar nada muito específico sobre a reforma da Previdência, diz.
"Particularmente nesse ponto, o discurso não me surpreendeu. Não adianta conquistar todo mundo e não aprovar a reforma no Congresso."
Mas ele acrescenta que o discurso foi rápido e muito superficial e "perdeu chance de fazer alguma coisa mais ambiciosa".
Para Alvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais, a frustração reflete um discurso pouco incisivo e falhou em abordar temas que interessam a investidores internacionais.
"Faltou ser mais incisivo, dizer eu vou fazer o ajuste fiscal, eu vou fazer reforma da Previdência", diz Bandeira.
Victor Candido, da Guide Corretora, acrescentou ainda que seria incoerente o governo apresentar a reforma da Previdência no exterior sem antes discuti-la localmente. Para ele, novos trechos do projeto devem começar a ser noticiados informalmente assim que o presidente retornar da Suíça. Seria a repetição do instrumento de balão de ensaio, divulgar propostas e testar a recepção junto à opinião pública.
Analistas dizem que não veem risco de derrota da reforma da Previdência no Congresso com o escândalo político relacionado a Flávio Bolsonaro, senador eleito (PSL-RJ) e filho do presidente.
"Acho que o negócio está mal explicado, mas está naquela fase inicial em que o governo que tem muito poder", afirma Giufrida.
Para ele, o impacto maior, por enquanto, será sobre a opinião pública, que está decepcionada.
Candido concorda que, por enquanto, a situação está "sob controle".
O economista-chefe da Guide diz, porém, que esse é um dos três riscos que precisam ser monitorados pelo mercado. Além do escândalo, é preciso monitorar a cirurgia do presidente e também o cenário externo.
As Bolsas também recuam no exterior nesta terça. Nos Estados Unidos, os índices cedem mais de 1% após o feriado que manteve os mercados fechados. No ano, as Bolsas ainda acumulam alta.

RECEBA O NOSSO BOLETIM EM SEU E-MAIL!

--