Carro & Cia

Policiais ou ladrões? Causos de um Caminhoneiro

Na cabine daquela carreta carregada, Dorival Bartzike, com 45 anos, natural de Laranjeiras do Sul e morador de Cafelândia / PR, dirigia tranquilo embalado pelo ronco do possante motor de seu Volvo NL 340. Naquela tarde, transportava toneladas de sal providas do Rio de Janeiro que seriam entregues à Corbélia no Paraná. Com seus pensamentos voltados para saudade da família e de sua esposa - que atualmente é falecida - recordava com saudade, o abraço dos seus filhos queridos que sempre o receberam de braços abertos em suas chegadas de longas viagens. Não via a hora de encurtar essa distância de Km ‘s entre eles. Pelos olhos atentos do caminhoneiro, passavam as paisagens à margem das rodovias. Embora estivesse imerso à saudade de casa, ele não se permitira escapar nenhuma placa, mantendo-se atento a tudo que o cercava. Era meados de 1995 e ele estava fazendo o trajeto da Avenida Brasil no RJ por volta das 19:00 horas, quando percebeu que uma viatura de polícia vinha em sua direção e quatro policiais portando armamento faziam-lhe um gesto de  – “PARE!”. Dois desses supostos policiais embarcaram no caminhão e pediram que levasse até um estacionamento próximo a um viaduto.  Ao chegar lá o caminhoneiro percebeu que o “policial fardado” era na verdade um ladrão, e que estava correndo um grave perigo. A farda que usavam era falsificada e a viatura era na verdade um carro comum emblemado com adesivos da polícia. Um dos assaltantes colocou a arma na cabeça do caminhoneiro e com ameaças e gritos falou que queria roubar-lhe a carga. O Sr. Dorival tentando ficar calmo iniciou uma conversa com os assaltantes explicando que a carga que transportava era Sal. Os assaltantes duvidavam extremamente do caminhoneiro e disseram que procuravam por cargas de Feijão ou de Arroz para roubar. Na época os caminhões que eram do Sul transportavam normalmente grãos e caminhões de carrocerias baixas transportavam sal. Os assaltantes obrigaram o caminhoneiro a retirar a lona e mostrar a carga comprovando a veracidade do que ele havia dito. O caminhoneiro retirou a lona e comprovou o que havia dito, era sal mesmo. Nada contentes com a carga e com a sua falha de roubo, pediram-lhe que mostrasse o documento do caminhão e se era financiado. Ele mostrou o documento que constava que o caminhão fora adquirido por financiamento. Assim pediram a carteira e roubaram o dinheiro que alí estava para ser utilizado para quitar os pedágios, e fizeram-lhe assinar um cheque de 200 reais que seria sacado posteriormente, e colocar assinatura do cartão. Disseram-lhe para não cancelar o cheque e deixaram claro para o motorista que possuíam todos seus dados e que caso ele voltasse ao Rio de Janeiro seria pego em sua próxima viagem e que consequentemente -“Rachariam os miolos do caminhoneiro com um machado.” Pediram ainda que ele mostrasse a cabine do caminhão para ver se tinham algo de que se interessassem, pediram as roupas do motorista e outros pertences que carregava. Parcialmente contentes com o alvoroço, falaram para ele que poderia seguir viagem, mas que deveria permanecer calado sobre o fato ocorrido e explicaram-lhe o caminho que deveria seguir para sair daquele lugar escuro. O motorista assustado seguiu viagem sem olhar para trás, e quando conseguiu conversar com o gerente pediu que ele segurasse o pagamento por dois dias até ele chegar em sua cidade, o gerente o fez. O Sr. Dorival pediu auxílio ao presidente da cooperativa na época, Sr. Arquimedes Fagundes Cordeiro que o aconselhou de fazer a liberação do pagamento do cheque para evitar problemas futuros em posteriores viagens. O pagamento foi efetuado três dias depois do acontecido e foi utilizado em uma compra feita num mercado do Rio de Janeiro próximo ao local do assalto. Esse local foi alvo de outros assaltos e alta violência decorrida dessa farsa local. Seis meses após o ocorrido a imprensa mostrou que foram assaltados mais motoristas e a polícia fez uma investigação e uma varredura para prender esses bandidos. Para esse herói sobre rodas um dia normal de viajem se tornou um grande pesadelo, teve a perca do seu dinheiro, perca de sua tranquilidade.

Relembrando este fato em sua vida, concluiu ele que, não fosse as tentativas de diálogos com os assaltantes o fim daquela história poderia ser diferente.

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