Opinião

O lixo domiciliar é recurso

Este mês de abril foi marcado por uma notícia muito importante para o meio-ambiente, Curitiba deu um importante passo para reduzir o uso do aterro sanitário, com a autorização do Instituto Ambiental do Paraná e um acordo de cooperação com indústrias cimenteiras da Região Metropolitana de Curitiba para o uso dos resíduos sólidos na produção do CDR - Combustível Derivado de Resíduos.

O prefeito Rafael Greca envolveu-se pessoalmente para viabilizar o funcionamento do coprocessamento dos resíduos para queima na fábrica da Votorantim Cimentos, em Rio Branco do Sul. 

É uma ideia espetacular, pois evita enterrar o lixo, que custa um absurdo, fazendo um bem ao ambiente, tem inovação e ainda sustenta os trabalhadores da reciclagem, comprando a parcela do lixo que eles jogariam fora. Pode parecer pouco, mas são 400 toneladas por mês de rejeitos que saem dos 40 barracões que fazem parte do programa. 

O CDR é um substituto energético do coque de petróleo usado como combustível para a fabricação de cimento. Com a substituição, é possível reduzir as emissões de carbono, diminuir passivos ambientais em aterros sanitários, gerar economia financeira para o município, que deixa de pagar o custo de aterro, e ajudar na geração de renda para os catadores.

Essa não foi a primeira vez que se abordou o Combustível Derivado de Resíduos. Já em 2010, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) financiou R$ 33,9 milhões dos investimentos da Estre Ambiental nessa área. Essa empresa nacional é de gestão de resíduos sólidos e tratamento de áreas degradadas. 

Os recursos foram destinados na implantação de uma unidade de processamento de resíduos, com capacidade de produção de 450 toneladas de combustível derivado de resíduos. Nesse caso, o CDR seria usado na alimentação de caldeiras e fornos industriais. Foi a primeira vez que o BNDES financiou um projeto na área de resíduos sólidos para transformação de lixo urbano em energia. 

O banco considerou ser um bom investimento já que o CDR é produzido durante todo o ano, podendo ser estocado, tem o potencial calorífico maior que o do bagaço de cana e custa menos que o coque. 

Em 2012, a planta de Paulínia estava pronta à espera do alvará de soltura, quero dizer, licenciamento ambiental, que deveria ter um procedimento muito mais rápido para iniciativas pró-ambiente. 

Ainda mais para um investimento de R$ 45 milhões e que, depois de pronta, processa diariamente mil toneladas de lixo domiciliar, sendo que 580 toneladas são matéria orgânica que, depois de triturada, segue para o aterro, 20 toneladas são metais que podem ser reciclados na indústria e 400 toneladas que são transformadas no combustível (CDR).

Como temos mais de 25 milhões de pessoas vivendo no eixo São Paulo-Campinas e cada pessoa gera 1 kg de lixo domiciliar por dias, ainda temos espaço para outras 24 plantas como essa, ou um bilhão em investimentos. O BNDES deveria financiar uma parcela desse investimento, incentivando juntamente com as prefeituras interessadas. Missão para parlamentares dos três níveis de representação, de todo o Brasil.

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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