Opinião

Home office na advocacia, novos desafios e tendências

Imagem Ilustrativa/ Pixabay

Porém, a realidade agora é outra. A pandemia não terminou, muitos escritórios e advogados gostaram da ideia e esta nova forma de trabalhar está se tornando cada vez mais comum.

Tenho visto várias formas de trabalho, desde escritórios que voltaram 100% ao presencial, quanto outros em que todos os advogados e a grande maioria do pessoal administrativo estão trabalhando em home office. Lembrando que outros estão no meio termo, com escalonamentos e regras para o trabalho presencial.

Mas o que fez com que estes escritórios tomassem direções tão diferentes? Vou detalhar  algumas tendências sobre este assunto, derivadas da conversa que tenho mantido com vários escritórios:

  1. os escritórios que precisam de contato diário com clientes (pessoa física) e que são considerados de “massa” estão na sua grande maioria trabalhando presencialmente. Estes escritórios dizem que seus clientes não têm tempo e condições de fazer reuniões on-line e, desta forma, estão abertos para atendimento. Quanto ao pessoal administrativo e devido ao volume de tarefas estão trabalhando em sistema de rodízio, priorizando o atendimento presencial;
  1. escritórios pequenos, com até 8/10 advogados, têm trabalhado em  home office, fazendo apenas reuniões extremamente importantes com clientes chaves presencialmente. O Administrativo, neste caso bem pequeno, só vai em ocasiões especiais;
  1. por outro lado, escritórios de médio porte, com mais de 20/25 advogados, estão mais flexíveis, dividindo dias presenciais e dias home office, levando em consideração a área de atuação e senioridade.  As áreas voltadas ao consultivo e arbitragem majoritariamente estão em home office, enquanto o contencioso está trabalhando presencialmente, porém nos dois casos ainda alternando home office e presencial. Quanto à senioridade, quanto mais sênior menos dias presencial. O administrativo em rodízio;
  1. os grandes escritórios são bem mais complexos com a tendência de colocar grande parte dos advogados em home office e também boa parte do administrativo. Os principais sócios tendem a participar das reuniões presencias e os coordenadores de área também. Grande parte do administrativo voltou ao presencial.

 

Lembrando que estes são casos que verifiquei na realidade, e as variações são inúmeras e não existe uma regra que esteja sendo seguida pelos escritórios, o que vale muito também é a vontade dos sócios em como querem gerir seu negócio.

Todas estas mudanças já trouxeram custos para esta adaptação e podem trazer mais custos, caso seja decidida a migração total ou parcial para home office. Alguns escritórios irão diminuir o espaço físico, o que vai gerar custos neste momento, mas depois a manutenção diária e o custo com alguns benefícios irão cair muito.

E a pergunta é: com a diminuição a médio prazo dos custos, o valor dos honorários vão cair também? O valor não gosta com manutenção e benefícios seria destinado para inovações tecnológicas e cursos de aperfeiçoamento? Não vejo ainda uma tendência neste sentido, mas para mim o reinvestimento parece-me o caminho.

Não posso deixar de falar no fator psicológico. Uma mudança tão grande pode gerar afastamento entre os advogados e colaboradores, sem falar no desgaste emocional. Muito saudável e recomendável que pelo menos uma vez por semana exista este contato para não se perder o entrosamento e os laços emocionais criados. Afinal, até março convivíamos mais com nossos colegas de trabalho do que com nossa família.

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