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Morre o jornalista Salomão Schvartzman, aos 85 anos

João Sal/Folhapress

O jornalista Salomão Schvartzman no jantar oferecido em homenagem ao artista plástico Franz Krajcberg, por Bia e João Dória Jr.

O jornalista e sociólogo Salomão Schvartzman morreu neste sábado (6), em São Paulo, aos 85 anos. Segundo familiares, ele sofreu um acidente vascular cerebral há alguns anos e sua saúde nunca se recuperou completamente após o episódio. Seu velório acontecerá neste domingo (7), a partir das 10h, no Cemitério Israelita do Butantã. O enterro acontecerá a partir das 13h.
Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, chegou a São Paulo aos 25 anos e dizia ter se tornado "paulistano de coração".
Dono de uma voz grave que se tornou marca própria ao longo da carreira no rádio, Schvartzman começou sua trajetória como repórter no jornal O Globo, no Rio de Janeiro, na década de 1960. Nos anos seguintes, já na rádio Globo, participou da cobertura do julgamento do dirigente nazista Adolf Eichmann.
Trabalhou por cerca de 40 anos na Rede Manchete, onde chegou ao posto de diretor da sucursal paulista da revista Manchete. Apresentou os programas Momento Econômico e Clássicos em Manchete na mesma emissora.
Também foi âncora do programa Diário da Manhã por sete anos na TV Cultura, de onde saiu em 2007.
Em entrevista ao Portal Imprensa, em 2011, Schvartzmann relembrou de quando sua mãe, em 1946, entrou em desespero ao ler carta que comunicava a do avô e dos tios do garoto em um campo de concentração na Polônia. "Em meio a comentários desencontrados hoje sobre o assunto, eu posso esquecer isso [o holocausto]?", disse o jornalista na ocasião.
Sobre o seu modo de produção, disse na mesma entrevista que "geralmente" escrevia "à noite, mas acordava "cinco da manhã" e lia novamente.
"Ler um texto que eu considero ter ficado bom me rejuvenesce. Mas muitas vezes não sai nada, é o papel em branco. Outras vezes fico parado diante do computador, refém do vazio. Escrevo, apago tudo e depois recomeço. Mas sinto um orgasmo dentro de mim quando concluo que um texto meu está bem feito", afirmava.
Recentemente, Schvartzmann apresentava o Diário da Manhã, na rádio Cultura FM, e tinha uma coluna diária na rádio BandNews. Ele sempre terminava suas reflexões no rádio com o bordão "seja feliz".
Segundo sua sobrinha, Marisa Clermann, "ele tinha ainda muito prazer em fazer os programas" e mesmo com a saúde debilitada fazia questão de "escolher as músicas e o conteúdo do programa", que vinha gravando de sua residência.

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